• 19 set 2022

    Realizado o V Congresso do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional (CERQUI)!

Realizado o V Congresso do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional (CERQUI)!

Todo empenho na tarefa de superar a crise de direção

Massas 673, editorial, 18 de setembro de 2022

A luta da vanguarda marxista-leninista-trotskista se concentra na tarefa de superar a crise de direção mundial. Diante da longa Pandemia, que ceifou milhões de vidas, e da guerra na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, ressalta o fato da classe operária se encontrar desorganizada e desarmada, ideológica e politicamente. Eis por que os explorados não puderam se defender com seu programa, suas respostas e seus métodos próprios de luta à guerra comercial em torno às vacinas, impulsionada pelos Estados Unidos, e às medidas dos capitalistas e dos seus governos, que resultaram em demissão em massa, aumento do desemprego e empobrecimento geral da população mundial, principalmente a dos países de economia atrasada, como os da América Latina.

Nem bem passava a tormenta da Pandemia, sobreveio a guerra na Ucrânia, cujas consequências para os explorados têm sido mais desemprego, aumento do custo de vida, potenciação da pobreza, e proliferação da miséria e da fome. Também neste caso, as massas dos países de economia mais débeis e saqueados pelas potências foram e são as que mais arcaram e arcam com os efeitos da guerra.

Em situação tão calamitosa, ressalta a ausência de partidos revolucionários, que encarnem o internacionalismo, e combatam a guerra de dominação, que há mais de seis meses se mantém na Ucrânia. A experiência histórica das guerras na época do capitalismo imperialista demonstra que somente a classe operária, com seu programa de expropriação da burguesia, pode transformar as guerras de dominação em guerras civis de libertação. Mas, sem o partido que encarne o programa da revolução social, a reprovação, a resistência e a ação dos explorados contra as guerras de dominação se esgotam em si mesmas.

As experiências da Revolução Russa de 1917, diante da Primeira Guerra Mundial, sobretudo, indicam que somente a classe operária, unida às massas oprimidas do campo e da cidade, pode levantar-se contra qualquer guerra de dominação, e dar uma solução progressiva, transformadora, revolucionária. Apesar de a guerra da Ucrânia distar a mais de cem anos da revolução proletária de Outubro de 1917, há um vínculo reconhecível. O seu principal edifício, a construção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), já não mais existe, foi desmoronado em dezembro de 1991, sob a emersão das forças restauracionistas do capitalismo. A liquidação da URSS representa a maior vitória do imperialismo norte-americano e de seus aliados europeus. Vitória essa que combinou com a abertura da China à penetração do capital monopolista e financeiro.

A classe operária mundial está, portanto, diante de uma regressão de tamanha proporção, que a tem impedido de transformar suas lutas recorrentes pela sobrevivência em luta revolucionária pelo programa de expropriação da burguesia, e pela retomada da transição do capitalismo ao socialismo, iniciada pela Revolução de Outubro, e interrompida pelo desmoronamento da URSS.

Esse retrocesso histórico recai inteiramente sobre o revisionismo estalinista. A Rússia, sem a potência revolucionária, que era a URSS, se viu diante de um cerco voraz do imperialismo, cada vez mais ameaçador, que conta com a bem armada OTAN.

O esgotamento da partilha do mundo, realizada após a Segunda Guerra, vem gestando a guerra bélica nas entranhas da guerra comercial. A potência hegemônica, os Estados Unidos, ameaça ampliar a guerra na Ucrânia na forma de uma conflagração mundial, recrudescendo a guerra comercial com a China, e fortalecendo a escalada militar no Indo-Pacífico.

É nesse marco que se coloca a necessidade de a vanguarda marxista-leninista-trotskista concentrar todas as suas energias para pôr em pé os partidos revolucionários, e reconstruir o Partido Mundial da Revolução Socialista. Esse foi o ponto central das discussões e resoluções do V Congresso do CERQUI. A liquidação da III Internacional, em 1943, ordenada por Stalin e sua camarilha termidoriana, antecipou a subserviência da URSS à aliança imperialista vencedora da Segunda Guerra, a aplicação da doutrina antibolchevique do “socialismo em um só país”, a tática da “coexistência pacífica”, contrária à da luta de classes mundial e, assim, o combate mortífero contra a criação da IV Internacional.

Nessas condições adversas, aprofundou-se a crise de direção, e se impôs a necessidade de a vanguarda compreender suas causas históricas, e reconhecer suas manifestações conjunturais. Envolvido na tarefa de responder à guerra na Ucrânia e à ofensiva contra a China, o V Congresso foi precedido de uma significativa discussão sobre a restauração capitalista na Rússia e seus reflexos na crise mundial. As resoluções aprovadas concluem que o proletariado russo e mundial está diante da necessidade de uma nova Revolução de Outubro na Rússia, como parte do programa dos Estados Unidos Socialistas da Europa e do Mundo.

O V Congresso, assim, discutiu e reafirmou a campanha internacionalista do CERQUI em torno às bandeiras: fim da guerra na Ucrânia, desmantelamento da OTAN e das bases militares norte-americanas, revogação das sanções econômicas dos Estados Unidos e aliados à Rússia, autodeterminação, integralidade territorial e retirada das tropas russas da Ucrânia. Reafirmou a tese marxista de que somente a classe operária unida, sob seu programa e método de luta, pode encontrar uma saída progressiva para a guerra e evitar que os Estados Unidos levem os países a uma nova guerra mundial.

Viva o V Congresso do CERQUI!