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Uma vida dedicada ao Partido
Operário Revolucionário 13 de maio de 2012
Ao longo de seus 87 anos, Lora seguiu um longo caminho na construção do verdadeiro partido bolchevique. Cada problema, cada situação e cada conjuntura, foram analisados e respondidos por escrito, com o respaldo de inumeráveis documentos de investigação que fundamentava suas posições. Com critério científico, criticou aqueles que desviaram para o “ativismo” puro, mostrando que para fazer política é necessário conhecer a realidade social, inserir na massa explorada, ganhar militantes e fazer um impecável trabalho de propaganda. Convencido do papel organizador do jornal para o Partido, fundou em 1947 a “Luta Operária”, convertido anos depois no Jornal “Massas”. Criou os editoriais do Massas e da Mola do Diabo, escreveu uma infinidade de análises e balanços, projetos de teses para organizações sindicais e outros que foram publicados em suas folhas chamadas “A Colmeia”. Também se preocupou em divulgar a obra e pensamento de outros autores por meio da coleção “Folhas de meu Arquivo”. Sua impressionante obra, de consulta obrigatória para os estudiosos da histórica boliviana e para os marxistas, está concentrada na valiosa coleção de 67 tomos, sob o título de “Obras Completas”, editada por ele mesmo. Em seu permanente afã para construir o partido bolchevique e superar a crise do POR, tanto no plano político como organizativo, seus últimos escritos e, sobretudo, os de 2005 a 2008, constituem uma valiosa análise autocrítica de toda experiência do trotskismo boliviano. No último período de sua vida, se esforçou para que os poristas compreendessem a necessidade de trabalhar no movimento operário. Através de seus escritos, traçou as principais linhas de autocrítica e estudo que deveriam empreender os marxistas para superar os erros cometidos pelo trotskismo no passado e, assim, fortalecer o trabalho da vanguarda operária. Nas últimas reflexões, Lora fez esforço para responder a questão porque o POR não conseguiu alcançar seu objetivo histórico. Esses escritos, que não se encontram nas Obras Completas, traçam três linhas fundamentais de autocrítica: 1) O trabalho do Partido na transformação do instinto em consciência; 2) O trabalho do Partido Internacional; 3) O problema organizativo. Para Lora, a raiz de todos os erros cometidos na história do POR é não ter compreendido o fenômeno do instinto comunista. Essa incompreensão levou a confusão entre instinto e consciência de classe (...) O POR tomou as radicais ações instintivas dos operários por expressões de sua consciência, o que o fez descuidar de seu próprio papel dentro da inter-relação dialética classe-Partido e, portanto, a uma insuficiente maturação como direção dos explorados. Diz: “O instinto comunista dorme nas entranhas da classe operária e desperta (...) quando se agudiza a luta de classes, fundindo-se com a teoria marxista”. É errôneo confundir ambas as coisas, pois o instinto, para sobreviver e desenvolver, necessita ser convertido em política revolucionária, política de alcance insurrecional. O POR deve concentrar-se integralmente no trabalho de converter seus militantes operários em criadores de teoria. Sobre o problema internacional, Lora afirmava que atualmente vivemos os efeitos da depressão mundial do movimento revolucionário, em função da opinião pública confundir estalinismo com comunismo. O POR deve contribuir na marcha para potenciar a IV Internacional. O movimento da IV Internacional desapareceu pela ação das correntes barbarizadoras dedicadas a sua destruição. Assinala que, em 1971, o POR não pôde consumar a revolução proletária, quando a realidade lhe era favorável e havia conseguido se afirmar como direção das massas, devido à debilidade da IV Internacional. O alto preço que pagou o trotskismo por essa derrota continua vigente, pois se traduziu no retraimento do poderoso partido boliviano. A lição consiste em que o desenvolvimento da Internacional só pode se dar por meio da ação dialética de suas seções nacionais. A potencialização recíproca dos partidos trotskistas é a única via para a revolução comunista. Em relação ao problema organizativo, Lora ressaltou a falta de revolucionários capazes de dirigir as lutas das massas, reflexo de uma militância que não assimilou o marxismo como prática revolucionária consciente. Esse fenômeno põe em evidência, sobretudo, que a militância não tem conseguido assimilar com profundidade a teoria marxista da revolução. Conclui dizendo que o POR terá de encontrar o caminho para superar esses problemas por meio da assimilação autocrítica de sua própria experiência, tanto nacional como internacional. A vida de Lora foi marcada por prisões e exílios. A sua atuação na greve mineira e o Massacre de Catavi, uma das mais duras provas suportadas pelo proletariado mineiro e seu Partido, lhe impôs o exílio ao Chile e Uruguai, passando pela Argentina. No exílio escreveu “O que sucedeu em Catavi”, um memorável testemunho sobre a repressão do governo da oligarquia. Vale lembrar que em 1961, o líder do POR foi confinado em Puerto Villarroel, onde sob sua influência os presos realizaram uma greve de fome em protesto às condições sub-humanas em que eram obrigados a viver. Em quase todo o país, foram realizadas manifestações, greves e paralisações de fábricas em apoio aos dirigentes presos. Nessa breve homenagem ao dirigente do POR não poderíamos deixar de assinalar o papel do jovem Lora na elaboração das Teses de Pulacayo, em meio a uma onda de greves e de radicalização das massas, foi realizado o Congresso extraordinário da FSTMB em Pulacayo. O documento foi aprovado. As Teses de Pulacayo caracterizam pela primeira vez o país como “capitalista atrasado” e, partindo das reivindicações dos mineiros, desenvolve sobre uma realidade concreta o Programa de Transição, reafirmando a estratégia da Ditadura do Proletariado. Afirma, porém, que as Teses de Pulacayo não puderam encabeçar a marcha dos explorados para a conquista do poder, em função da debilidade política e organizativa do POR. No entanto, de acordo com as resoluções de Pulacayo, se formou o bloco Mineiro Parlamentar, Lora foi um dos deputados. A experiência do dirigente porista confirma as teses leninistas sobre a atuação revolucionária no Parlamento burguês. Sua atuação lhe valeu a cassação de seu mandato juntamente com os companheiros do Bloco Mineiro, sua expulsão da Bolívia e o exílio. O Partido Operário Revolucionário do Brasil se esforça para assimilar os ensinamentos deixados por Guilhermo Lora. Temos consciência de que a melhor forma de reconhecer o incansável trabalho de Lora é construir o POR no Brasil, como parte da constituição do Partido Mundial da Revolução Socialista.
(Extratos do folheto – “90 anos de seu nascimento”, publicado pelo Partido Operário Revolucionário da Bolívia) |
Novo! MASSAS 433
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O
dirigente do Partido Operário Revolucionário da Bolívia faleceu no
dia 17 de maio de 2009. Reproduzimos algumas lições deixadas por
Guilhermo Lora, publicadas no folheto “90 anos de seu nascimento –
esboço biográfico do líder do Partido Operário Revolucionário”.
