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14 jun 2025
Estados Unidos impulsionam as tendências bélicas no mundo todo!
Formar a frente única anti-imperialista para acabar com o genocídio palestino!
13 de junho de 2025
A crise na Palestina, marcada pelo genocídio executado por Israel desde 8 de outubro de 2023, se encontra em uma nova fase. A intensificação dos conflitos no Oriente Médio, a fome em Gaza, o retorno das grandes manifestações em diversos países e a mudança de posicionamento de parte da grande mídia e de alguns governos, pressionados por essas manifestações, caracterizam essa nova etapa. O que se mantém, no entanto, é a ausência da classe operária organizada e com seus métodos próprios de luta. As condições para a formação de uma frente única anti-imperialista estão dadas, mas é preciso que as direções políticas, sindicais, populares, rompam com a conciliação de classes e se coloquem no terreno próprio da luta de classes para conter Israel e acabar de vez com a carnificina em Gaza.
A situação mundial acompanha a barbárie na Palestina. A guerra na Ucrânia não encontra um desenlace, enquanto jovens ucranianos seguem sendo sequestrados nas ruas para servir de bucha de canhão na guerra. Guerras na África são secundarizadas pela mídia enquanto deixam um rastro de sangue. Nos EUA, um movimento insurrecional contra a política anti-imigração de Trump, reflete a amplitude da crise internacional. Mexicanos, porto-riquenhos e outros imigrantes latinos têm transformado as ruas de Los Angeles num verdadeiro campo de batalha. Em outras cidades, como Atlanta, o movimento tem crescido.
O governo Trump não modificou a essência da política de Biden para o Oriente Médio. Assim como seu antecessor, tem se mostrado um governo de crise. No Oriente Médio, Israel se coloca como um fator de guerra. O enclave do imperialismo na região rica em recursos naturais e importante rota comercial promoveu um dos maiores ataques ao Irã nos últimos tempos, matando dois generais e seis cientistas nucleares. O objetivo está claro, interromper o desenvolvimento do programa nuclear iraniano.
As massas iranianas foram às ruas para pedir retaliação contra essa declaração de guerra. A resposta foi rápida, mas inferior ao ataque sionista. Trump aproveitou o ataque para pressionar o Irã a um acordo nuclear. Como se vê, a mudança de governo nos EUA não significou uma mudança na essência de sua política. Trump segue impulsionando as tendências bélicas.
Esses e outros acontecimentos têm refletido, por um lado, até onde está indo a barbárie capitalista, e, por outro, a gravidade da crise de direção revolucionária das massas oprimidas. A ausência do Partido Mundial da Revolução Socialista, enraizado nos diferentes países, organizando os trabalhadores, unificando as lutas contra seu maior inimigo, a burguesia imperialista, tem sido o fator determinante para que a situação convulsiva mundial não se transforme em situação revolucionária.
Israel segue com seus planos de limpeza étnica, destruição da infraestrutura e anexação completa de Gaza. Recentemente, um grande bombardeio na Cidade de Gaza, a maior do território palestino, matou mais de 80 pessoas, além de deixar muitos feridos. O problema da fome foi o que ganhou maior destaque na mídia internacional. Isso porque o Estado sionista tem impedido sistematicamente a entrada de alimentos e outros suprimentos à Faixa de Gaza. A chamada ajuda humanitária, controlada por Israel, tem servido de tática para novas matanças. Os postos de distribuição, que são colocados próximos às bases militares israelenses, reúnem milhares de palestinos famintos, que são alvejados pelos soldados sionistas. Essa semana, mais de 100 pessoas morreram dessa forma. Em Gaza, seja pela fome, seja pelos bombardeios, a morte está sempre à espreita.
A solidariedade internacional através das manifestações vem aumentando visivelmente. Em países do Oriente Médio e da Europa, principalmente, tem acontecido manifestações multitudinárias. A bandeira que unifica todos é apenas uma: Fim imediato do genocídio! Fim da ocupação israelense! A manifestação mais importante está apenas se formando, um enorme comboio com milhares pessoas deixou a Argélia rumo a Gaza, outros grupos partiram da Tunísia, Marrocos e outros países. A ideia é formar uma grande marcha para Gaza a partir do Cairo, no Egito. Caravanas de diversos países, inclusive do Brasil, estão indo para a Marcha.
Israel soou o sinal de alerta. Ordenou que o Egito interrompa a Marcha e não permita que os manifestantes cheguem até a fronteira, o que está previsto para acontecer no dia 15. O Egito, como um bom serviçal, já começou a deter aqueles que chegam ao país para participar da manifestação. Outras manifestações têm ocorrido e servido para ampliar a denúncia sobre o Estado sionista, como no caso da Flotilha da Liberdade, um barco com ativista que rumava para Gaza, quando foi interceptado em águas internacionais pelas forças de Israel.
Em Israel também aconteceram manifestações exigindo a negociação para a libertação dos reféns. O Parlamento de Israel começou a analisar sua própria dissolução, com objetivo de convocar eleições antecipadas. As declarações e ações restritivas de diversos países em relação à Israel têm pressionado para uma solução. Entre os rompimentos mais importantes estão a Espanha e o Reino Unido, um aliado histórico do regime sionista. Certamente essas dissonâncias no campo do próprio imperialismo são fruto das mobilizações que se espalham pelo mundo. Netanyahu tem visto o chão diminuir sob seus pés. Mas o apoio político, financeiro e militar dos EUA garantem a continuidade das ações. Nenhum desses governos que protestaram contra a matança na Faixa de Gaza pode apontar o dedo aos Estados Unidos e ao governo de Trump.
Com o crescimento das mobilizações em favor da Palestina, ressurgem os ideólogos democratas com a receita vencida dos dois Estados, como solução para o conflito. A criação do Estado sionista na ONU, em 1948, contou com a farsa de que seria possível a convivência pacífica entre os dois Estados, o palestino e o israelense. As guerras entre Estados árabes e Israel em 1948, 1967 e 1973 demonstraram que esse caminho seria inviável. As anexações do território palestino deram um salto. Os acordos de Oslo, em 1993, manejados pelos EUA, no comando de Bill Clinton, com a conivência da OLP de Yasser Arafat, reacendeu a falsificação dos dois Estados. A resistência palestina ao avanço sionista e à conivência internacional levou às Intifadas em 1987 e 2005. Foi sobre essa base que aconteceram as ações militares do Hamas, em 7 de outubro. Israel, sob o comando da extrema-direita, aproveitou para agir no sentido da anexação completa da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.
No Brasil, crescem as pressões sobre o governo Lula no sentido do rompimento das relações com o Estado sionista. Na sexta-feira (6) o Conselho Nacional de Direitos Humanos emitiu uma nota onde diz que o governo de Israel promove um genocídio na Faixa de Gaza, e pede que o governo brasileiro adote medidas para um cessar-fogo. Além disso, o Conselho emitiu um ofício ao Itamaraty solicitando que o governo rompa as relações diplomáticas com Israel e declare Netanyahu como persona non grata. O Conselho é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos. Essas medidas colocam em xeque o verbalismo de Lula até o momento. O que indica hipocrisia do presidente para não se chocar com o apoio da maior parte da burguesia brasileira e do Congresso Nacional ao Estado sionista de Israel. Isso porque já fez diversas declarações caracterizando o que ocorre em Gaza como um genocídio ou até mesmo como holocausto, mas mantém todas as relações diplomáticas, comerciais e militares com o Estado que está praticando o genocídio. Pior, nos últimos meses o Brasil quadruplicou sua exportação de combustível para Israel, garantindo assim que os tanques, as escavadeiras e outros veículos usados no massacre do povo palestino possam circular. O Brasil envia 9% do petróleo bruto de Israel e, no setor energético, as exportações de aço servem de matéria-prima para empresas como Elbit Systems e IMI (Israel Military Industries), que produzem drones, tanques de guerra e munições lançadas contra civis em Gaza. Eis aí a conivência prática do governo Lula com o genocídio, ainda que diga o contrário.
Nesse exato momento de agravamento da crise no Oriente Médio, o deputado Eduardo Pazuelo, do ultradireitista PL, apresentou o projeto de lei 472/2025, que criminaliza o antissemitismo, confundindo-o com toda luta, protesto e crítica ao Estado sionista e à barbárie provocada na Faixa de Gaza. É dever do governo execrar imediatamente essa iniciativa e tomar medida concreta de rompimento total com o Estado sionista.
Com o crescimento do movimento internacional, a CUT e outras grandes entidades convocaram manifestações neste dia 15. Mas para corrigir seu atraso precisam organizar a classe para atuar como força viva contra o genocídio. Os sindicatos, os movimentos populares e estudantis devem organizar as assembleias nos locais de estudo e trabalho e organizar a luta pelo fim das guerras de dominação e pelo fim do genocídio em Gaza. Diante dos ataques de Israel/Estados Unidos ao Irã, trata-se de organizar a resistência anti-imperialista. O Irã tem o direito de desenvolver seu programa de energia nuclear como todos os países que já se armaram com a bomba atônica, como é o caso do próprio Estado sionista de Israel.
A bandeira que deve guiar os trabalhadores nesse momento é a da convocação imediata de um Dia Nacional de Luta, com greves, paralisações e bloqueios, que vincule a luta contra as guerras de dominação e pelo fim do massacre em Gaza com as lutas nacionais, em defesa das condições de vida das massas.
A tarefa de colocar em marcha a luta no Brasil está de acordo com as tendências de luta no mundo todo. Cabe às massas romperem a camisa de força das direções que se apoiam na conciliação de classes e no governismo. A defesa da autodeterminação do povo palestino está colocada no campo da luta contra as tendências bélicas impulsionadas pelo imperialismo sob a chefia dos Estados Unidos. Estão postas as condições para a constituição da frente única anti-imperialista contra o genocídio e pela libertação do povo palestino. A derrubada do Estado burguês-sionista por meio de uma revolução social é condição para essa libertação. As massas do Oriente Médio e do mundo todo devem rejeitar as falsas soluções dos democratas burgueses e pequeno-burgueses e dar curso à luta revolucionária, por uma República Socialista da Palestina, como parte dos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio.
Fim da intervenção do Estado sionista de Israel na Faixa de Gaza!
Cessar imediatamente a matança dos palestinos!
Não à anexação do restante do território palestino e por sua autodeterminação!
Levantar um movimento de massas em defesa do Irã!
Fim da dominação dos Estados Unidos e aliados imperialistas sobre o Oriente Médio!