• 05 jan 2026

    Fora Estados Unidos da Venezuela e da América Latina!

Fora Estados Unidos da Venezuela e da América Latina!

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, consumada em 3 de janeiro de 2026 com o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o bloqueio aéreo e naval do país e a ocupação de pontos centrais de seu território, constitui o mais grave ato de agressão imperialista na América Latina desde o fim das ditaduras militares do século XX. Trata-se de uma ação de guerra aberta, que rompe qualquer disfarce diplomático e recoloca a região sob a lógica da doutrina Monroe, reafirmando o continente como quintal do imperialismo norte-americano.

O pretexto utilizado pelo governo Trump, o combate ao narcotráfico e ao chamado “narcoterrorismo”, não passa de uma farsa. A droga que abastece o maior mercado consumidor do mundo não tem origem na Venezuela, mas em outros países historicamente integrados às rotas do narcotráfico sob a complacência, quando não a participação direta, de aparelhos estatais associados aos próprios Estados Unidos. A criminalização seletiva do governo venezuelano cumpre apenas a função de construir uma justificativa ideológica para a agressão militar e para o controle direto de um território-chave no continente.

O verdadeiro objetivo da ofensiva é econômico. A Venezuela concentra cerca de 17% das reservas mundiais de petróleo, além de recursos minerais fundamentais para a disputa entre os Estados Unidos e a China. Em um contexto de guerra comercial que se converte aceleradamente em confronto militar, o imperialismo norte-americano busca recompor sua hegemonia regional por meio da militarização, do cerco econômico e da derrubada de governos que escapam à sua tutela direta. A intervenção visa reconfigurar a indústria petrolífera venezuelana sob controle estadunidense, assegurar lucros às multinacionais, impor um recado disciplinador aos povos latino-americanos para se afastarem da influência da China.

Também não se trata de restaurar a democracia nem de legitimar processos eleitorais. Os Estados Unidos não reconhecem a legitimidade de Nicolás Maduro, mas tampouco apostam na oposição como demonstrou a rejeição a Guaidó, Maria Corina Machado ou Edmundo González. O objetivo real é impor o que chamaram de uma “transição adequada e cuidadosa” sob ocupação imperialista, ou seja, impor um governo fantoche disposto a administrar o país sob tutela externa, desmontar conquistas sociais e entregar seus recursos ao capital imperialista.

No plano internacional, a União Europeia limita-se a expressar reservas formais à operação, sem qualquer defesa da soberania venezuelana, enquanto a China denuncia a agressão e exige a libertação imediata de Maduro. O alinhamento automático de governos como os da Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador à política de Trump expõe o papel das burguesias locais como intermediárias do imperialismo. No Brasil e no México, apesar de declarações contrárias à intervenção, predomina a inação. No Brasil essa paralisia está ligada à aposta no multilateralismo, defendido pelo governo como alternativa à confrontação direta, mas que na prática se revela um mecanismo de adaptação à ordem imperialista, incapaz de barrar agressões ou de defender a soberania regional.

A ofensiva contra a Venezuela não é um episódio isolado. Ela se articula com o cerco militar ao Caribe, com a ameaça de ocupação do Panamá, com a instalação de centros “antiterroristas” na tríplice fronteira e com a tentativa de subordinar o Brasil por meio da guerra comercial, com a chantagem econômica das tarifas, e do apoio à extrema direita. A militarização do continente acompanha a disputa por matérias-primas e deixa evidente que não há espaço para neutralidade, nem para diplomacia, em um cenário de desintegração acelerada do capitalismo mundial e avanço das tendências bélicas.

Diante dessa agressão fica evidente que as burguesias nacionais latino-americanas são incapazes de defender a soberania de seus próprios países. A tarefa histórica de enfrentar o imperialismo está nas mãos da classe operária e da maioria oprimida, depende de retomarem os métodos da luta de classes. A defesa incondicional da Venezuela está vinculada ao direito dos povos à autodeterminação frente a dominação imperialista.

Os partidos, sindicatos, centrais sindicais e organizações populares que se reivindicam anti-imperialistas devem trabalhar para organizar a frente única anti-imperialista, capaz de barrar o avanço militar norte-americano, expulsar suas bases, romper com os mecanismos de saque e enfrentar a burguesia interna submissa ao capital internacional!

A restituição imediata de Nicolás Maduro, a retirada das tropas norte-americanas, o fim do bloqueio econômico e a defesa do petróleo venezuelano como patrimônio de seu povo são bandeiras inseparáveis da luta mais geral pela emancipação da América Latina. Cada passo dado pelo imperialismo contra a Venezuela prepara novas imposições ao conjunto do continente. Enfrentar a opressão imperialista é uma necessidade histórica. Fora Estados Unidos da Venezuela e da América Latina! A única via consequente para defender a soberania nacional das nações oprimidas é a da luta organizada dos explorados por um governo operário e camponês que imponha a ditadura do proletariado. Para isso é imprescindível a reconstrução do Partido Mundial da Revolução Socialista, a IV Internacional.