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07 mar 2026
Editorial do jornal Massas nº 759
Chamado à classe operária, aos demais trabalhadores e à juventude oprimida
Carta aberta às centrais, aos sindicatos, aos movimentos e às correntes que se reivindicam da defesa das nações oprimidas
Lutemos pelo fim imediato do esmagamento do Irã pelos Estados Unidos e Israel!
Pôr em pé um movimento de frente única anti-imperialista!
Os Estados Unidos e Israel estão determinados a ir às últimas consequências em sua guerra contra o Irã. No primeiro bombardeio, dia 28 de fevereiro, mataram não apenas Ali Khamenei e altas autoridades do governo, mas também 168 estudantes e 14 professores, que se encontravam em uma escola primária. Estima-se que em seis dias de guerra Israel descarregou cinco mil bombas. Os Estados Unidos não devem ter ficado muito atrás.
Na chamada Guerra dos Doze Dias, os ataques aéreo resultaram em 1.190 vítimas, agora alcançou 1.230. Esse número se elevará dia a dia. Não se sabe por quanto tempo o Irã resistirá. Sabe-se, porém, que o imperialismo norte-americano e o colonialismo sionista medem o tempo de acordo com o objetivo traçado de derrubar o regime nacionalista que rege a República Islâmica e impor as condições serviçais à nação iraniana. Assim está posta a questão da durabilidade da guerra, uma vez que o Irã se acha isolado, contando apenas com a resistência do Hezbolhah no Líbano e dos houthis no Iêmen. O Hamas já não tem capacidade de reação que possa fortalecer a resistência iraniana. O seu esmagamento militar arrancou um obstáculo que se encontrava no caminho do controle israelense da Faixa de Gaza.
Nesse embate, os Estados Unidos e Israel se utilizaram do poderio militar fulminante para se imporem como força completamente dominante no Oriente Médio. Os palestinos foram tragados pela máquina de guerra dos invasores e suas cidades se transformaram em ruínas. Em dezesseis meses de guerra, as estimativas assinalaram 75.100 mortos. Esse número continuou a crescer depois que Trump ditou ao Hamas a paz dos cemitérios.
Não se deve – e não é possível – desvincular o genocídio do povo palestino da guerra de dominação desfechada pelos Estados Unidos contra o Irã. Elos históricos unem os movimentos de resistência nacional ao avanço do poderio norte-americano no Oriente Médio e à implantação do Estado Sionista de Israel, nos marcos da Segunda Guerra Mundial. O que os ideólogos do imperialismo qualificam como “organizações terroristas”, na realidade, sãos expressões de resistência nacionalista, que se depara com o amplo e sangrento intervencionismo dos Estados Unidos.
Assim como o nacionalismo árabe, que teve seu auge na década de 1950, acabou tragado pelas divisões internas, alimentadas pelo imperialismo norte-americano e aliados europeus, o nacionalismo iraniano já não tem força para sustentar sua contraposição à ofensiva dos Estados Unidos nas novas condições da crise mundial. Da Revolução Islâmica de 1979 à tumultuada situação do aqui e agora, foram longos anos de conflitos sistemáticos do povo persa com os objetivos do grande capital internacional de liquidar a nacionalização do petróleo e derrubar a soberania nacional.
O nacionalismo burguês encarnado pela teocracia governamental deu ao Irã uma projeção no Oriente Médio, tendo de passar pela mortífera guerra com o Iraque, fomentada pelos Estados Unidos. Guerra que se iniciou em agosto de 1980, portanto logo após a queda da monarquia do Xá Mohammad Reza Pahlevi, e que durou até agosto de 1988. Em março de 2003, os Estados Unidos voltaram suas armas contra o governo nacionalista de Saddam Hussein. Resultou em um morticínio e Hussein foi julgado por um Tribunal controlado pelos serviçais dos Estados Unidos à pena capital. A intervenção que terminou em dezembro 2011 abalou as relações no Oriente Médio, projetando os problemas nacionais e a ampliação da dominação norte-americana pela força das armas.
O Irã passou por esses momentos convulsivos, mas sua economia se debilitou com as sanções econômicas; e a crise social se avultou. A trincheira do nacionalismo na região ficou restrita à teocracia dos aiatolás, que perdeu parte da força social que garantia a unidade nacional contra as pressões e as investidas dos Estados Unidos, que passaram a se valer da justificativa de que o Irã não podia desenvolver a energia nuclear e chegar à fabricação da bomba atômica. Trump rompeu o acordo em 2018, realizado pelo governo de Barack Obama em 2015. Aí, se encontra um dos primeiros sinais de que os Estados Unidos caminhariam no sentido da guerra com o Irã.
Nada que o governo iraniano fizesse para conter o programa nuclear no terreno do uso pacífico atenderia aos objetivos estratégicos do imperialismo norte-americano. O ponto nevrálgico estava e está no controle do Irã das reservas e da produção petrolíferas. Nessa riqueza se assenta o nacionalismo persa e sua ligação com a resistência à dominação norte-americana no Oriente Médio, que se encontra arraigada na luta do povo palestino por sua autodeterminação. A sua presença política e militar no Iraque, Síria e Líbano se forjou como necessidade de reagir e suportar a ofensiva norte-americana, que se serve de Israel como um enclave superarmado no Oriente Médio. Israel abriga em seus silos a bomba atômica.
A guerra dos Estados Unidos contra o Irã, como se pode constatar, vem sendo gestada a tempo. A decisão de Trump de iniciá-la no último dia de fevereiro se deve ao cálculo de que a resistência do nacionalismo burguês chegou ao ponto de maior fragilidade com a derrocada do Hamas, a mudança de governo na Síria e a retomada do poder no Líbano pelas forças políticas propensas à submeter o país ao imperialismo. Para isso, tem sido decisiva a liquidação da direção histórica do Hezbollah e a reocupação por Israel de parte do país. Em resposta ao apoio da organização xiita ao Irã, Netanyahu não somente voltou a bombardear o sul do Líbano, como reiniciou a invasão territorial.
O fato é que o Irã está praticamente só. Enfrenta a potência mundial que determinou o percurso do capitalismo após a Segunda Guerra Mundial. Suas respostas, direcionando drones e mísseis para as bases norte-americanas sediadas nos países árabes do Golfo Pérsico, são limitadas. Conta com as consequências econômicas da guerra, principalmente com alta do preço do petróleo e bloqueios de rotas comerciais. Mas, por enquanto, Trump pode administrar os impactos.
A União Europeia que não viu com entusiasmo os motivos da confrontação, bem como o Reino Unido, se encolheu e prometeu ficar na defensiva – uma forma de estar do lado dos Estados Unidos, sem se responsabilizar pelas consequências da operação. Dentre os países-membros do Brics, somente a China, Rússia e Brasil condenaram a guerra. Mas, palavras de pacificação acabam morrendo aos pés do agressor.
É do interesse dos Estados Unidos que Azerbaijão e Turquia fiquem distantes, se não se dispuserem a se juntar no campo do imperialismo. O Irã desmentiu a farsa de que disparou artefatos em suas direções. Essa parte do terreno insólito se deve à falta de definição clara em favor dos Estados Unidos e Israel.
Estão ficando mais visíveis as manobras dos Estados Unidos em fazer dos curdos bucha de canhão. Armando e colocando-os em combate contra as forças armadas iranianas, se gesta a guerra civil e se facilita a invasão norte-americana e israelense do território do Irã.
Os protestos das massas em países próximos do Irã ainda se mostram débeis. Mas, são importantes os sinais de condenação no interior dos Estados Unidos. A passividade nos países do Golfo Pérsico deve ser quebrada na medida em que fique claro para as camadas oprimidas que somente o povo iraniano pode resolver a crise de governabilidade e compreender que a questão se resume na defesa da autodeterminação da nação oprimida.
Os Estados Unidos são opressores e saqueadores dos países do Oriente Médio. O dever da classe operária mundial e dos demais trabalhadores é a de condenar a guerra e defender na prática o Irã. A tarefa urgente é a de pôr em marcha um movimento pelo fim imediato da guerra, edificando um movimento de frente única anti-imperialista! Viva a resistência Irã! Pela soberania da nação oprimida.