• 01 set 2026

    Editorial: Após fracasso militar, Trump decreta ofensiva econômica contra o Irã

Editorial do jornal Massas n° 771

Após fracasso militar, Trump decreta ofensiva econômica contra o Irã  

Defesa incondicional do Irã

Combater a guerra de dominação imperialista com a estratégia programática e os métodos revolucionários da luta de classes

Unir os explorados e os povos oprimidos em uma frente única anti-imperialista

Pelos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio!

 

No dia 24 de agosto, o Secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou uma série de medidas econômicas que visam estrangular financeiramente o Irã, após o fracasso da campanha militar de Trump no Oriente Médio. As medidas foram anunciadas como um “Dia D econômico”, numa referência tosca e jactanciosa, ao desembarque aliado na Normandia em 1945.

Trump se vê obrigado a manter a guerra contra o Irã nas condições em que o Estado sionista de Israel continua com o massacre dos palestinos na Faixa de Gaza e avança em seu objetivo de anexar também a Cisjordânia e parte do Líbano. Há que se assinalar que nesse marco prolonga a guerra na Ucrânia, que adentrou no seu quinto ano.

O fracasso de Trump na guerra contra o Irã é hoje é reconhecido até mesmo por setores da burguesia mundial. Apesar de seu imenso poderio bélico, em 6 meses de conflito, os Estados Unidos esgotaram seus estoques de mísseis (incluindo o sistema de defesa patriot) e não conseguiram destruir nem as instalações nucleares, nem os principais centros de lançamento de mísseis do Irã. O objetivo central de Washington de impor um plano de paz imperialista malogrou depois de três rodadas de negociações em fevereiro, junho e agosto. O Irã foi capaz de retaliar lançando mísseis Ghard contra bases militares e radares em diferentes países e fechando o estreito de Ormuz, o que levou à alta no preço do petróleo.

O anúncio da Casa Branca de uma nova rodada de sanções contra o Irã expressa os limites momentâneos do imperialismo em derrotar o nacionalismo islâmico apoiado pelas massas. As medidas adotadas visam cortar receitas que financiam a economia do país. Os setores em vista são: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Mais de 60 empresas e indivíduos já foram incluídos nas medidas. Bessent prometeu sanções secundárias contra empresas, bancos e países que continuem a fazer negócios com o Irã, incluindo sua expulsão do sistema do dólar. Nesse sentido, Turquia, Iraque Índia e Rússia estariam na alça de mira. O grande obstáculo para a Casa Branca continua a ser a China, que compra 90% de todo o petróleo iraniano. Impor sanções à China para que interrompa suas importações vitais de óleo cru do país equivale a uma medida de guerra contra Pequim. Eis por que o sistema financeiro chinês permanece, até o momento, fora das sanções.

Não é de hoje que o imperialismo estadunidense recorre ao estrangulamento econômico como arma de guerra. Cuba suporta uma situação calamitosa desde fevereiro, com apagões e falta de produtos básicos. Essa ação contrarrevolucionária combina com o controle imposto à Venezuela. O mesmo pretende-se agora para o Irã. No fundo, são as massas que pagam por estas medidas reacionárias que carregam traços de ‘genocídio indireto’. Há alguns meses, os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval e cogitaram mesmo um bloqueio econômico terrestre do país (abandonando por falta de condições logísticas).

Para Trump, vale tudo para colocar o Irã de joelhos e escapar da desmoralização que atinge seu governo, antes das eleições de 3 de novembro, que pode dar maioria aos democratas no Congresso. A inesperada resistência iraniana teve o mérito não apenas de estender o tempo do conflito, como gerar pressões inflacionárias nos Estados Unidos, o que ajudou a derrubar tanto o apoio da pequena-burguesia à guerra como a própria popularidade de Trump (hoje inferior a 36%). Em caso de guerra econômica, Teerã promete retaliar fechando completamente Ormuz e o próprio Golfo Pérsico para o trafego petrolífero. Isso significa: novas tensões e uma nova escalada no conflito.

Os trabalhadores conscientes de todo o mundo têm o dever de condenar a reacionária ofensiva econômica de Trump sobre a nação persa. Ela reflete a profunda decomposição do imperialismo e a necessidade do controle das fontes de matérias-primas. As organizações de massa dos explorados estão chamadas a organizar uma campanha ativa de defesa do Irã, com atos e manifestações. O POR levanta a bandeira da Frente Única Anti-imperialista e de defesa da autodeterminação dos povos oprimidos. Chama os explorados a lutarem pela expulsão dos Estados Unidos e a constituição dos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio, o será possível pela via da superação da crise de direção e da reconstrução da IV Internacional.