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12 set 2026
Esta é a terceira Carta que o POR envia aos explorados e à juventude oprimida defendendo a independência política diante da disputa eleitoral. A independência política tem um conteúdo de classe. O mesmo diz respeito à dependência. Nos períodos eleitorais, os partidos mais poderosos e dominantes da burguesia arrastam os explorados a se dividirem por meio do voto. Sem o partido revolucionário que possa utilizar as eleições para defender a independência política, prevalece a dependência ditada pelo poder econômico e estatal da classe capitalista.
O POR vem se construindo sem se submeter a esses poderes próprios dos exploradores. Assim, ainda se acha em um estágio embrionário de construção. A sua legalização para participar com candidaturas nas eleições depende, antes de tudo, de se fortalecer no interior da classe operária, dos demais trabalhadores e da juventude oprimida. Esse fortalecimento virá da fusão dos instintos de revolta dos explorados com o programa de defesa da vida dos pobres e miseráveis e com a estratégia da luta pelo poder por meio da revolução social, ou seja, da revolução proletária.
Está aí por que o POR não se omite nas eleições e se coloca diante dos trabalhadores denunciando o conteúdo burguês da disputa eleitoral e defendendo o voto nulo. Mas, não se trata de defender o voto nulo por si mesmo. Trata-se de defender a independência de classe, dizendo Não à política burguesa e ao mar de mentiras despejado nas eleições sobre as massa assalariadas e aos demais trabalhadores. Trata-se de organizar o movimento operário e popular sobre a base do programa de reivindicações que unifica todos os oprimidos pela classe patronal e por seu Estado.
Os trabalhadores sentem na carne os baixos salários, a pesada jornada de trabalho, a instabilidade no emprego, as demissões, o subemprego e a informalidade. Disso resulta que os trabalhadores enfrentem as terríveis consequências sociais, que se manifestam na precariedade da saúde, educação, moradia e violência de todo o tipo que se gesta em meio à pobreza e à miséria.
Esse peso na existência da família trabalhadora acaba por sacrificar, em particular, as mulheres e a maioria negra que suporta o odioso racismo. É obrigatório ser claro que tamanha opressão atinge a sexualidade, em especial, aos homossexuais e àqueles que não se sujeitam à camisa de força da família patriarcal. E também ser claro no reconhecimento de que parte da juventude oprimida vem pagando caro pela decomposição do capitalismo, que a atinge com violência extrema.
Todos esses problemas se originam nas relações capitalistas de exploração do trabalho e de crescente acumulação de riqueza em posse da minoria exploradora. Essas contradições sociais não podem ser resolvidas pela burguesia, por seu Estado e por seus governos sejam eles mais à direita ou mais à esquerda. Essa verdade absoluta revela o quanto as eleições servem tão somente aos interesses da burguesia, principalmente dos poderosos grupos econômicos e do capital imperialista.
Os explorados quando são arrastados pela propaganda eleitoral dos partidos e candidatos burgueses estão mostrando sua desorganização, sua falta de independência, bem como a pequena presença do partido revolucionário, que está em construção. Os partidos e os candidatos que servem ao poder da burguesia tudo fazem para ocultar e disfarçar seu caráter de classe. É assim que alimentam as ilusões na maioria oprimida de que seus problemas serão resolvidos por um governo melhor que o anterior.
A classe operária e demais trabalhadores acabam por servir aos objetivos e aos interesses da classe capitalista de manter sua dominação e proteger a propriedade privada dos meios de produção. A promessa de um futuro melhor que resolva o problema do desemprego, dos baixos salários, enfim, da pobreza e miséria é feita por todos os candidatos, sejam eles de ultradireita, direita ou esquerda. Basta ver as novas promessas de Lula e as velhas de Flávio Bolsonaro, que tudo indica que eles terão a maior parte dos votos. Não é preciso falar das demais candidaturas do campo dos partidos que dominam a política burguesa.
Há uma tentativa de inventar um candidato que parece amigável e talhado para superar a divisão entre as candidaturas do PT e PL. É o tal do impostor Augusto Cury (Avante), que se passa por psiquiatra e que se enriqueceu escrevendo livros de autoajuda, voltados principalmente à agonia da classe média. Não irá ocupar o lugar do bandido Flávio. Não poderá concorrer com o aburguesado e esperto Lula.
Os candidatos da esquerda pequeno-burguesa, que se enfeitam com as bandeiras do socialismo, ficaram à margem dos resultados das pesquisas eleitorais. Nesses casos, o problema não se resume ao pequeníssimo número de votos, mas sim às suas adaptações à democracia oligárquica.
Na primeira Carta do POR, de 13 de agosto, a disputa entre Lula e Flávio já estava apertada. Agora, as pesquisas insistem em indicar o empate técnico, com uma pequena vantagem de Flávio no segundo turno. O certo é que os candidatos do PT e PL continuarão na disputa final. O fundamental está em indicar os motivos de tamanha instabilidade política, que tem permeado a campanha eleitoral.
Lula tem contado a seu favor com os programas assistenciais e a firme colaboração de classes promovida pelas direções sindicais e populares. Apesar da alta do custo de vida, do gigantesco endividamento dos assalariados e da contenção de gastos voltados a sustentar a brutal dívida pública, o governo petista se aproveitou da redução da taxa de desemprego e não teve de enfrentar o avanço da informalidade. É esperado, no entanto, que o crescimento econômico ficará bem abaixo dos 3,4% em 2024 e de 2,3% em 2025. O que interessa para os trabalhadores é que o próximo governo será ainda mais incapaz de sustentar os programas sociais. Novos ataques às condições de existência da maioria oprimida já estão assinalados, sendo que as candidaturas estão ocultando o desastre que vem pela frente. Essa previsão deve ser respondida com a organização do movimento em defesa das reivindicações que unificam a maioria dos trabalhadores.
A disputa eleitoral se iniciou nas condições de agudização da crise política, que expressa a derrocada econômica do país, a ofensiva do governo Trump, a guerra comercial dos Estados Unidos com a China e o agravamento da barbárie impulsionada pelas guerras de dominação.
A candidatura de Flávio resultou de uma imposição do seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Não se pode ignorar a importância política do aparato das igrejas evangélicas, e há mais de uma década ganharam projeção nos marcos da falência do governo petista de Dilma Rousseff. Sua influência eleitoral continua sendo de grande valor para a ultradireita bolsonarista.
Flávio sofreu com a revelação de seu vínculo com o banqueiro Daniel Vorcaro e com as falcatruas do Banco Master. Lula foi envolvido pela oposição com o caso das fraudes do INSS, embora a CPI não tivesse progredido no objetivo de processar seu filho Lulinha. O caminho dos bolsonaristas se alargou com as revelações que os implicaram com o mesmo banqueiro Vorcaro, atingindo altas autoridades, entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A menos de um mês do primeiro turno das eleições, as divisões no interior do Estado eleva a ebulição da crise a um ponto de quase transbordamento. Os bolsonaristas e seus aliados esperam que aumente a rejeição de uma substantiva parte da população a Lula, para assim levá-lo à derrota no segundo turno. Lula, por sua vez, depende das revelações sobre os vínculos de Flávio com Vorcaro que ainda não vieram à tona.
De qualquer forma, a votação no dia 4 de outubro está inteiramente manchada pela podridão dos partidos da burguesia e pela decomposição da democracia oligárquica. A defesa do voto nulo emergirá como uma arma dos explorados no campo da luta de classes e da independência política da maioria oprimida. A questão está na ausência, por enquanto, de um movimento de união dos trabalhadores em torno ao programa de reivindicações e à estratégia da revolução social. Essa dificuldade deve ser enfrentada pela vanguarda com consciência de classe com as bandeiras de independência e luta do proletariado contra a burguesia e o imperialismo, que na situação se manifesta por meio da guerra comercial protagonizada pelo governo Trump.
O voto nulo é o instrumento no momento para separar os explorados dos exploradores; para colocar na ordem do dia o programa de reivindicações e avançar no sentido da estratégia da revolução e ditadura proletárias; para organizar a frente única anti-imperialista; para combater em defesa das nações oprimidas pela autodeterminação; para potenciar a construção do Partido Operário Revolucionário como seção do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional.
Diante da decomposição da democracia oligárquica, o voto nulo é uma arma para ajudar as massas a superarem as ilusões nos partidos e candidatos da burguesia; para expor a nefasta política de colaboração de classes da burocracia sindical; e para impulsionar a organização independente dos trabalhadores perante o Estado burguês.
O POR chama os trabalhadores e sua vanguarda com consciência de classe a erguerem a bandeira do voto nulo contra a dominação burguesa, que se mantém sob a máscara da democracia eleitoral, para ocultar a ditadura de classe da minoria capitalista sobre a maioria explorada.