• 13 set 2026

    Editorial: Têm fracassado as tentativas de acordos para interromper as guerras no Irã e na Ucrânia

Editorial do jornal Massas n° 772

 

Têm fracassado as tentativas de acordos para interromper as guerras no Irã e na Ucrânia

 Prevalecem as tendências de decomposição mundial do capitalismo

Somente o proletariado organizado sob o programa da revolução social pode defender a autodeterminação das nações oprimidas e derrotar a ofensiva do imperialismo

 

A ofensiva dos Estados Unidos sobre o Iirã prossegue com novos bombardeiros após o anúncio do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, de um pacote de sanções econômicas visando sufocar a economia do país. Após bombardear posições em terra, segundo o Pentágono, ligadas à Guarda Revolucionária Iraniana, o Comando Central dos EUA (Centcom) no Oriente Médio divulgou imagens do bombardeio de cinco petroleiros iranianos, alguns nas proximidades de Kharg, centro vital da indústria petrolífera iraniana, e outros próximos a Omã. O bloqueio naval é o primeiro passo do plano de estrangulamento do país, que visa provocar inflação, escassez de produtos, maquinários, alimentos, medicamentos etc. O governo iraniano, em contramedida, declarou ter alvejado e afundado navios e petroleiros associados ou em rota na região do Golfo Pérsico e Estreito de Ormuz e promete atacar os ativos financeiros dos EUA na região, a exemplo das instalações da Amazon no Bahrein (atingida por mísseis em julho) e do bem sucedido ataque com drones ao navio-tanque de uma empresa norte-americana em Damietta, Egito.

A imprensa e os meios burgueses na Europa e EUA não escondem suas dúvidas sobre a capacidade desta nova ofensiva de Trump derrotar o Irã, em razão da enorme resistência do país persa. O aumento imprevisto nas despesas (a guerra tem custado até agora 45 bilhões de dólares à Casa Branca) e a queda no estoque dos misseis pPatriot motivaram o envio de uma nova missão norte-americana à Rússia no começo de setembro (precedida pela visita ao Kremlin do diretor da CIA, John Ratcliffe) para retomar as negociações de paz. Não se sabe quantos militares de civis ucranianos e russos morreram no transcurso da guerra. Os números imprecisos, indicados pelo Conselho de Segurança da ONU e pelo Serviço de Segurança do Reino Unido em junho de 2026, apontam milhares e milhares de soldados e civis de ambos os lados. Segundo a ONU, teriam sido mortas 803 crianças ucranianas. A reunião da Cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, de 1º de setembro, que contou com a participação da China, Rússia, Índia e Irã, o máximo que fez foi publicar um pronunciamento criticando a continuidade dos ataques lançados pelos Estados Unidos.

Trump, que tem pela frente o enfrentamento com a China, sabe da impossibilidade de se envolver em duas guerras, simultaneamente e por longo tempo. Embora tenha diminuído sensivelmente os repasses militares e financeiros à ex-república soviética desde que tomou posse, a guerra na Ucrânia consumiu, em quatro anos e meio, mais de 195 bilhões de dólares do Tesouro estadunidense. O fim da guerra de dominação por meio de uma “paz” imperialista exigiria, antes de tudo, que Trump centralizasse a Europa no objetivo de aceitar as exigências de Putin (anexação de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporíjia, o não ingresso do país na Otan e o compromisso de não posicionar tropas na Ucrânia). A dificuldade consiste no fato de o imperialismo europeu ainda estar disposto a anexar a Ucrânia a qualquer preço e, por conseguinte, apostar no enfraquecimento e derrota da Rússia, pela combinação de pesadas sanções econômicas e do apoio militar contíinuo aà Zelensky.

Trump também se vê diante de apuros no front interno. Apesar dos dados positivos do Payroll sobre a criação de 162 mil novas vagas de trabalho em agosto, a dívida pública ultrapassou os 40 trilhões de dólares. Analistas reconhecem que embora os gastos obrigatórios com previdência social, Medicare (saúde para idosos), Medicaid etc. continuem sendo a maior despesa orçamentáaria do país, os cortes de impostos e os gastos militares e com proteção das fronteiras ajudaram a dívida pública a explodir. Trump fracassou em seu programa de corte de gastos com o DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) chefiado inicialmente por Elon Musk. O déficit fiscal continuou superior a 1 trilhão de dólares por ano e a dívida pública alcançou, por fim, o patamar de 125% do PIB. Os juros pagos para a rolagem da dívida alcançaram, no ano fiscal de 2025, a marca de 1,2 trilhão de dólares, o que o torna a segunda maior despesa orçamentáaria do país, superando pelo segundo ano consecutivo o orçamento de guerra.

O declínio dos EUA, que os empurra a uma guerra comercial e tecnológica aberta com a China, exige a retomada do controle estratégico sobre a América Latina. As vitórias de Fujimori, no Peru, Espriella, na Colômbia e Kast, no Chile, fortaleceram as posições do imperialismo. O envio do secretário de Estado, Marco Ruúbio, nos últimos dias, a estes países visa incorporá-los formalmente ao chamado “Escudos das Américas” e manejá-los não apenas contra a influência de Pequim, mas contra quaisquer manifestações de autonomia nacional na região. É nesse sentido que Argentina e Paraguai, volta e meia, servem de aríete contra o Brasil e que Lula passa a ser acossado com novas tarifas e ameaçado de interferência eleitoral dos EUA. Os explorados latino-americanos e do mundo inteiro suportam a decomposição capitalista, que tende a se agravar com a desaceleração da economia global.

O longo período de guerra que envolve a Ucrânia na Europa e o Irã no Oriente Médio, que por sua vez atinge a Faixa de Gaza, Líbano, Síria e Iêmen, evidencia o choque entre as forças produtivas altamente desenvolvidas e as relações capitalistas de exploração do trabalho e de opressão nacional. Em correspondência a essa lei histórica de amadurecimento das condições objetivas do capitalismo para a emersão das revoluções sociais, é que o avanço do militarismo, da guerra comercial e da opressão nacional, só pode ser combatido pelo proletariado e seu programa de expropriação geral da burguesia. Os oprimidos têm como tarefa superar a profunda confusão que reina em suas fileiras (expressão da crise de direção) impulsionando os partidos-programas e fortalecendo o Comitê de Enlace pela Reconstrução da Quarta Internacional, CERQUI.