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23 maio 2026
Editorial do jornal Massas nº 764
Estados Unidos ameaçam invadir Cuba
O exemplo da Venezuela demonstra que somente a mobilização da classe operária, em aliança com os camponeses e demais oprimidos urbanos, pode combater a ofensiva do imperialismo.
A tarefa da vanguarda com consciência de classe é a de constituir a frente única anti-imperialista, sob as bandeiras da autodeterminação das nações oprimidas, da soberania nacional, da nacionalização do grande capital, do fim do intervencionismo das potências e das guerras de dominação.
Defesa incondicional de Cuba!
A Revolução Cubana de 1959 rompeu com as heranças do colonialismo e, em particular, com os elos de dominação do imperialismo. A ilha do Mar do Caribe, próxima dos Estados Unidos, estabeleceu a sua autodeterminação e independência nacional por meio da revolução que expropriou os latifundiários, entregou as terras aos camponeses, golpeou o capital externo, nacionalizou a economia, impôs o monopólio do comércio exterior e abriu o caminho da transição do capitalismo ao socialismo.
A Revolução Cubana se deu nos marcos da profunda crise mundial do capitalismo, cujos reflexos na América Latina estiveram na base dos movimentos de libertação nacional. Os Estados Unidos não puderam esmagar a revolução em um país completamente agrário justamente devido à situação convulsiva latino-americana, marcada pelo avanço da luta de classes. Ou seja, pelas revoltas operárias, camponesas e de camadas da classe média urbana arruinada. Apesar dos golpes militares e das derrotas sofridas pelos movimentos nacionais, em grande medida dirigidos por direções nacionalistas burguesas e pequeno-burguesas, que se seguiram à revolução de 1959, não foi possível fazer triunfar a reação imperialista montada no continente pelos Estados Unidos.
A Revolução Cubana se nutriu das conquistas da Revolução Russa de 1917 e da Revolução Chinesa de 1949. Assim se passou porque confluía com as conquistas do proletariado mundial. Os Estados Unidos não tiveram êxito na invasão da Baía dos Porcos, em 1961, utilizando-se dos cubanos refugiados em Miami, mas mantiveram o controle colonialista do território de Guantánamo, onde conservaram sua base militar construída em 1898.
O fato de não terem conseguido esmagar a revolução expôs a força do proletariado mundial e latino-americano. A sua política de ameaça constante de invasão a Cuba esteve alicerçada no cerco econômico, nas sanções e nas frequentes tentativas de constituir uma oposição contrarrevolucionária ao regime de Fidel Castro.
O processo de restauração capitalista, a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a integração à ordem mundial capitalista levaram ao isolamento de Cuba e ao seu enfraquecimento econômico, o que favoreceu o cerco dos Estados Unidos. Contribuíram também decisivamente para isso a política de colaboração de classes desenvolvida pelo reformismo burguês e pequeno-burguês e os golpes militares que ganharam força desde meados da década de 1960. Os Estados Unidos usaram seu poderio econômico e militar para organizar e alimentar um amplo movimento contrarrevolucionário na América Latina. É importante assinalar o golpe de Banzer, de agosto de 1971, na Bolívia, que teve por objetivo liquidar a Assembleia Popular e impedir a revolução social. Cabe ainda destacar o início do processo golpista no continente a partir do Brasil, com o golpe militar de 1964, que derrubou o governo nacionalista de João Goulart. Na sequência, sobrevieram os golpes contrarrevolucionários no Chile e na Argentina.
Nesse quadro tão adverso à luta operária e camponesa, é surpreendente que os Estados Unidos não tenham conseguido varrer a Revolução Cubana. A explicação está em que as conquistas transformadoras nesse país tão limitado do ponto de vista capitalista deitam raízes profundas na revolução latino-americana, que, apesar de bloqueada e adormecida, nunca deixou de assombrar o imperialismo.
Agora, as ameaças dos Estados Unidos e as medidas reacionárias lançadas e mantidas pelo imperialismo norte-americano durante décadas ganham uma dimensão distinta e podem retomar historicamente a invasão da Baía dos Porcos. A intervenção militar na Venezuela, a derrubada do presidente Nicolás Maduro, a capitulação da ala chavista encarnada por Delcy Rodríguez e a entrega do controle do petróleo ao manejo da Casa Branca potencializaram o velho objetivo dos governos estadunidenses de liquidar de vez as conquistas da revolução social em Cuba. Essa ofensiva se apoia na implantação de governos direitistas e ultradireitistas, francamente pró-imperialistas, na América Latina. Dessa vez, o bloqueio econômico é mais efetivo. Cuba já estava debilitada economicamente e golpeada politicamente pelo processo de restauração capitalista.
O cerco imperialista chegou ao ponto de Trump oferecer a migalha de 100 milhões de dólares como forma de financiar um grupo de oposição que se apoia nas precárias condições de vida da população. O criminoso de guerra fala em nome da “ajuda humanitária”, que seria entregue à Igreja Católica. Em troca, o governo cubano teria de abrir caminho para o retorno dos capitalistas cubanos e norte-americanos.
O processo aberto contra Raul Castro e outros membros do governo cubano, que em 1996 autorizaram a derrubada de duas aeronaves que partiram dos Estados Unidos e invadiram o espaço aéreo cubano, sob a justificativa de defender um grupo de trânsfuga que saia do país em direção a Miami. Essa medida tão somente serve de grosseira justificativa para uma possível invasão à Ilha, caso o Estado cubano não entregue os condenados pela lei norte-americana. Recordemos que no caso da Venezuela a justificativa foi a de que Maduro fazia parte do narcoterrorismo, acusação posteriormente jogada na lata do lixo.
A Rússia e a China, que poderiam romper o seu isolamento, mantêm posições nacionais contidas e neutralizadas. Países latino-americanos que poderiam socorrer Cuba, como o México e o Brasil, seguem os mesmos passos da Rússia e da China. Em palavras, todos condenam o esmagamento econômico e se dizem contrários a uma intervenção dos Estados Unidos, como a que se passou na Venezuela.
O governo chinês se reuniu com Donald Trump, mostrou a importância estratégica de Taiwan, mas se conteve diante do avanço dos Estados Unidos em seu objetivo de anexar Cuba. Em seguida, Xi Jinping se reuniu com Vladimir Putin, e decidiram publicar uma declaração de defesa da autodeterminação de Cuba. Por enquanto, continuam no mundo das palavras, quando os Estados Unidos travam uma guerra de dominação no Oriente Médio contra o Irã, Israel progride em sua guerra de anexação da Palestina, bombardeia o Líbano, e a guerra na Ucrânia se mantém como pivô da crise mundial.
Nesse exato momento, a União Europeia promove uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da OTAN, na Suécia, para discutir o seu financiamento e sua relação com os Estados Unidos, que estão retirando parte de seu contingente militar da Alemanha e transferindo-o para a Polônia. Trata-se de um encontro movido pelos conflitos dos europeus com os Estados Unidos em torno à exigência de Trump de que a União Europeia se incorpore à guerra contra o Irã e, em particular, à abertura do Estreito de Ormuz.
O imperialismo como um todo tem em comum a decisão de impulsionar a escalada militar. A Rússia, nesse marco, procura exibir seu poderio fazendo um teste de mísseis com capacidade nuclear.
A dramática situação de Cuba emerge nas condições do agravamento da guerra comercial e das medidas intervencionistas dos Estados Unidos. Eis por que as contradições econômicas do capitalismo e as disputas de mercado, bem como a corrida tecnológica, que implica a questão das matérias-primas, vêm gestando uma ampla crise política na Europa e, inclusive, nos Estados Unidos. A América Latina acaba refletindo e servindo de caixa de ressonância aos conflitos mundiais, encarnados pelas potências imperialistas.
O fator decisivo para reagir ao processo de desintegração capitalista e para defender as condições de existência das massas se encontra na luta de classes. As massas oprimidas tendem a reagir em toda parte, incluindo os Estados Unidos. Os acontecimentos mais recentes da luta de classes na América Latina se manifestam na Bolívia. O governo ultradireitista e pró-imperialista de Rodrigo Paz mal sentou na cadeira presidencial e já sentiu o chão estremecer sob seus pés com os levantes camponeses, de setores da classe média urbana e operários. A importância desse acontecimento está em que a situação pré-insurrecional conta com a presença do Partido Operário Revolucionário (POR), que vem intervindo no sentido de fazer o movimento confluir com a estratégia revolucionária da tomada do poder e da constituição de um governo operário e camponês.
É com essa linha que a vanguarda revolucionária trabalha no seio das massas para constituir uma assembleia popular e pôr em pé a frente única anti-imperialista. Esse é o caminho a ser seguido no Brasil e na América Latina. É com o programa da revolução social e com a organização da frente única anti-imperialista que a maioria oprimida lutará pela autodeterminação das nações oprimidas, pelo fim do intervencionismo na Venezuela e contra os ataques dos Estados Unidos a Cuba.
Viva a Revolução Cubana!
Em defesa das conquistas revolucionárias de Cuba!