• 19 jun 2025

    CERQUI: Em defesa do Irã contra os ataques militares dos Estados Unidos e Israel

Declaração do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional (CERQUI)

Em defesa do Irã contra os ataques militares dos Estados Unidos e Israel

Por um levante da maioria explorada do Oriente Médio e do mundo contra o genocídio na Faixa de Gaza e contra as investidas bélicas no Líbano, na Síria e no Iêmen

Somente a classe operária unida e em luta contra o imperialismo pode impedir o impulso à catástrofe mundial

Pôr em pé a frente única anti-imperialista, sob a direção do proletariado!

 

A invasão militar da Faixa de Gaza, em seguida ao 7 de outubro de 2023, desencadeou um movimento mais amplo do Estado Sionista de Israel no Oriente Médio, sendo que o principal inimigo era e é o Irã. As Forças de Defesa de Israel estavam bem preparadas e prontas para travarem um combate contra a resistência do povo palestino aos objetivos de anexação territorial.

A destruição e a carnificina na Faixa de Gaza têm sido justificadas pela burguesia sionista – nas palavras de Benjamin Netanyahu – e pelos Estados Unidos – agora, nas palavras de Donald Trump – como sendo um imperativo “existencial do Estado judeu”. Nesse marco, o Estado sionista levou a guerra ao Líbano, Síria, Iêmen e a concentrou, neste momento, no Irã. Os bombardeios às usinas nucleares, às base militares, aos campos de gás e petróleo, ao aeroporto e às instituições governamentais também são justificados em nome da “existência de Israel”.

Os assassinatos seletivos planejados pelo Serviço de Inteligência (Mossad) de autoridades políticas, militares e científicas são típicas do terrorismo de Estado. Israel foi constituído como um enclave dos Estados Unidos no Oriente Médio. Nenhuma força militar da região tem como colocar em risco a existência do Estado sionista. Os Estados Unidos – a mais poderosa força bélica – não só ergueram na Palestina um Estado militarista como têm suas bases militares implantadas nos pontos mais estratégicos do Oriente Médio. Israel foi aparelhado com bomba atômica, de forma que é o único Estado capaz de travar um combate nuclear na região.

Os Estados Unidos provocaram um guerra contra o Iraque, sob a mesma justificativa de impedir que o regime de Saddam Hussein alcançasse armas químicas e nucleares. O país foi destroçado e perdeu o pouco de soberania que havia conquistado sob a política do nacionalismo burguês. O Irã sob a ditadura monárquica do Xá Mohammad Reza Pahlevi esteve subordinado aos ditames dos Estados Unidos até que a revolução nacionalista triunfou em 1979. É bom lembrar que a OTAN interveio através do comando do general Robert Huyser, sem, contudo, ter como manter no poder o Xa Pahlevi. O regime islâmico foi a forma que os iranianos encontraram para fazer frente às imposições norte-americanas e aliados. Desde então, o Irã ganhou influência econômica, militar e religiosa no Oriente Médio. Teve de travar uma guerra fratricida (1980-1988) com o Iraque, cuja influência dos interesses imperialistas foi decisiva. A estabilidade nas relações no Oriente Médio e a necessidade dos Estados Unidos manterem o seu domínio levaram à guerra do Golfo (1900-1991) e à guerra do Iraque (2003-2011).

O imperialismo sufocou à força a resistência nacionalista no Iraque, sem, contudo, liquidá-la no Irã. As divisões religiosas no campo do islamismo favoreceram a intervenção norte-americana contra os movimentos nacionais e o consequente nacionalismo.

Na base dos antagonismos entre o Estado persa e Estados árabes, estão as riquezas petrolíferas e as posições geoestratégicas dos países do Oriente Médio, que surgiram após o fim do Império Otomano e as divisões traçadas pelo imperialismo na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. A guerra civil na Síria, iniciada em 2011 e concluída com a queda de Bashar al Assad em 2024, tornou-se um pivô nesse processo de conflitos e guerras na região. A subordinação dos Estados árabes mais importantes, como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Egito e Jordânia, à estratégia dos Estados Unidos de elevar o poder de Israel e favorecer seu avanço contra a resistência do povo palestino abriu o caminho para o Irã tomar a frente da luta contra as imposições norte-americanas e ao expansionismo colonialista do Estado sionista. A longa guerra civil internacionalizada na Síria despedaçou o país e acirrou ainda mais os antagonismos nacionais provocados pelas relações capitalistas de produção. É de grande importância nessa rede de confrontações as guerras que envolveram o Líbano, desde a primeira guerra Árabe-Israelense, de 1948-1949, até a presente ocupação militar de Israel na Faixa de Gaza, cujos reflexos atingiram não só o Líbano como a Síria.

A decisão dos Estados Unidos de incentivarem e apoiarem o governo de Netanyahu a ir à guerra de anexação se deu em um momento de agravamento da crise mundial marcada pela guerra na Ucrânia e pelos antagonismos entre os Estados Unidos e a China. Um ano e oito meses de guerra na Faixa de Gaza e a ampliação do intervencionismo norte-americano na região debilitou a resistência encarnada pelo Irã. A derrubada do governo de Assad na Síria se encarregou de garantir a supremacia de Israel sobre a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e o Líbano. Israel avaliou que conseguiu enfraquecer ao ponto máximo a resistência palestina, isolando a Faixa de Gaza, neutralizando o Líbano e a Síria. Chegou a hora de esmagar o Irã.

Os ataques e contra-ataques de abril e outubro de 2024 anunciaram a declaração de guerra de Israel contra o Irã, que em 13 de junho de 2025, finalmente, se configurou como guerra. A tentativa de Trump de disfarçar a participação dos Estados Unidos soou como pantomina. Emmanuel Macron, presidente da França, foi mais sincero e declarou apoio ao Estado sionista de Israel. O 1º ministro da Inglaterra, Keir Rodney Starmer, dispôs seu aparato militar para auxiliar as Forças de Defesa de Israel. Ao contrário, a China, Rússia e Turquia denunciaram a violação do Carta da ONU. Mesmo a Arábia Saudita e Emirados Árabes, ainda que demagogicamente, criticaram Israel. O fato concreto é que Israel ampliou seu raio de ação militar da Faixa de Gaza, para o Líbano, Síria, Iêmen, chegando ao Irã.

Os povos oprimidos do Oriente Médio e de todos os Continentes têm o dever de defender o direito do Irã de desenvolver seu programa nuclear. Os Estados Unidos são o maior perigo para a humanidade, como demonstraram seus bombardeios nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki. O direito de um punhado de países monopolizarem a energia nuclear e, portanto, as armas atômicas, é uma imposição imperialista. As tentativas de controlar o domínio da energia nuclear não implicaram que as potências renunciassem a bomba atômica, que é utilizada para atemorizar as nações que se rebelam contra as imposições imperialistas. Não há porque Israel ter bomba atômica e não o Irã. É falsa a alegação de que um está por sua defesa existencial e outro não. Esse argumento mascara o caráter colonialista que passou a ocupar o Estado sionista de Israel, apoiado e controlado pelos Estados Unidos.

As tendências bélicas estão em franca ascensão, impulsionadas pela guerra comercial em curso, estando à frente os Estados Unidos e a aliados. As guerras na Ucrânia, Faixa de Gaza e, agora, no Irã são as pontas do iceberg do militarismo capitalista. Eis por que é fundamental que os explorados e povos oprimidos se levantem contra a dominação e a prepotência do imperialismo.

A crise de direção revolucionário tem impedido transformar o temor e o descontentamento dos explorados com as disputas econômico-comerciais e as guerras em movimentos revolucionários anti-imperialistas e anticapitalistas. A tendência, no entanto, é de a classe operária responder às consequências nefastas das disputas territoriais, das anexações e das imposições econômicas ditadas pelas potências.

Trata-se da vanguarda com consciência de classe confluir com as tendências instintivas de luta dos explorados com o programa da revolução social. a constituição da frente única anti-imperialista é o ponto de partida para a classe operária e os demais explorados reunirem forças capazes de combater a burguesia e o regime capitalista em decomposição.

 

Pelo fim imediato dos ataques do Estado sionista de Israel, Estados Unidos e aliados ao Irã!

Pelo fim imediato do genocídio do povo palestino!

Organizar a luta anti-imperialista, sob a estratégia programática dos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio!

15 de junho de 2025