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22 jun 2025
Israel age como um braço armado do imperialismo norte-americano no Oriente Médio
Estados árabes servem de auxiliares da política de Trump e Netanyahu
A classe operária e os demais trabalhadores têm o dever de se colocar do lado do Irã
Editorial do Jornal Massas 742
Israel iniciou, em 13 de junho, a guerra contra o Irã com uma onda de bombardeios. Os Estados Unidos são os principais responsáveis. Os sinais de que esse momento chegaria já estavam dados. Em uma série de ataques no Líbano, Síria, Iêmen e no próprio Irã, o governo de Netanyahu declarava a guerra, sem, contudo, manter a escalada bélica. Os bombardeios pontuais e os assassinatos de lideranças iranianas, libanesas e palestinas seguiam um plano para se chegar à guerra contra o Irã.
Depois de 20 meses de intervenção na Faixa de Gaza, o Hamas se encontra encurralado, o Hezbollah incapacitado e a milícia houthi enfraquecida. A Síria deixou de auxiliar a frente de resistência à ofensiva militar israelense, assim que o governo de Bashar al Assad foi derrubado pelo movimento Hayat Tahrir al-Sham (HTS), derivado do Estado Islâmico e apoiado por países árabes e pela Turquia, e por cima deles, pelos Estados Unidos. Rompida a capacidade do denominado “eixo da resistência”, Israel, finalmente, partiu para a guerra com o Irã. Trata-se de um objetivo estabelecido há muito tempo.
A operação militar do Hamas em 7 de outubro de 2023 foi tomada como uma oportunidade ímpar para Israel reocupar a Faixa de Gaza e proclamar abertamente o antigo plano de anexação do pouco que resta de território aos palestinos. O iceberg veio à tona. A ocupação da Faixa de Gaza era o ponto de partida para o Estado sionista se projetar no Oriente Médio, de forma a não só garantir a hegemonia norte-americana na região como fortalecê-la nas condições da explosiva crise mundial.
A linha de chegada estava demarcada: esmagar o Irã e destruir o regime islâmico dos aiatolás xiitas. Desde 1979, quando da revolução nacionalista, os Estados Unidos viram como um obstáculo a seus interesses no Oriente Médio a declaração de independência e soberania do Irã. De início, o imperialismo procurou uma convivência que levasse à subserviência. Não poderia haver determinação nacional sobre o controle das riquezas petrolíferas. O Irã está entre os maiores produtores de petróleo e gás do mundo. Estrategicamente, tem ascendência sobre o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, por onde trafega uma significativa parte dos negócios internacionais. Os conflitos dos Estados Unidos com o Irã se intensificaram de acordo com a situação econômica mundial e as relações entre os Estados que compõem o Oriente Médio.
As várias guerras que perpassaram a região desde o desmoronamento do Império Otomano evidenciaram a importância do país persa. A guerra entre o Irã e o Iraque de 1980 a 1988, portanto, logo após a revolução nacionalista, ao contrário de desmoronar o regime dos aiatolás o fortaleceu enormemente. Os Estados Unidos apoiaram o Iraque. O impulso do nacionalismo iraquiano acabou por afrontar os Estados Unidos. O regime de Saddam Hussein se aventurou a controlar as fontes petrolíferas do Kuwait, anexando o território em 1990. Os Estados Unidos, apoiados pela Arábia Saudita, intervieram esmagando as forças iraquianas. O antagonismo entre o nacionalismo e o imperialismo se ampliou com as duas frentes: Irã e Iraque. Em 2003, os Estados Unidos inventaram um motivo para travar a guerra contra o regime de Saddam Hussein, que acabou sendo executado.
Destroçado o Iraque, o imperialismo norte-americano concentrou sua atenção no Irã. Fracassou em várias tentativas de derrubar o regime dos aiatolás. Agora, os Estados Unidos preparam o Estado sionista a fazer o “trabalho sujo”, segundo as recentes palavras do primeiro ministro da Alemanha, Friedrich Merz. É bom lembrar que o regime do xá Reza Pahlavi deu os primeiros passos, na década de 1950, na implantação do programa “Átomos para a Paz”, montado pelos Estados Unidos. Tudo em nome dos “fins pacíficos”, quando os Estados Unidos já haviam lançado a bomba atômica no Japão. A partir daí, a União Soviética alcançou essa alta tecnologia militar, e, em seguida, a França e o Reino Unido impulsionaram seus programas. Aumentou um pouco esse clube seleto, incluindo países como a Coreia do Norte, Índia, Paquistão, China e Israel.
O Irã passou a ser amaldiçoado porque avançou a capacidade científico-tecnológica de fissão nuclear e enriquecimento do urânio, que tanto serve a fins pacíficos quanto militares. A criação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em 1957, teve a função de dar poder aos Estados Unidos para autorizar ou negar o desenvolvimento das usinas nucleares em qualquer um dos países do mundo. Em seguida, o imperialismo impôs, nos anos de 1970, o chamado Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual o Irã se tornou signatário. Em 2016, Barack Obama ditou ao governo do Irã um acordo de limitação da produção de energia nuclear. Em troca, suspendeu as violentas sanções econômicas que agravaram as condições do desenvolvimento iraniano. O seu programa nuclear ficou sujeito ao controle dos inspetores da AIEA. Em maio de 2018, Trump desfez o acordo de Obama e voltou a aplicar as grotescas sanções ao Irã.
Essa trajetória demonstra que os Estados Unidos armaram um cerco ao regime nacionalista do Irã desde a derrubada da monarquia do xá Pahlavi. Exploraram os conflitos nacionais entre persas e árabes, entre xiitas e sunitas. O Oriente Médio passou a abrigar uma rede de bases militares norte-americanas. O Estado sionista de Israel serviu de posto avançado para o intervencionismo norte-americano e de seus aliados europeus.
A guerra, sob a justificativa de acabar com o programa nuclear do Irã, na realidade, busca liquidar o regime nacionalista e submeter o país persa aos desígnios dos Estados Unidos. É inaceitável para as potências imperialistas que em qualquer parte do mundo existam países de economia atrasada e semicolonial que exerçam a independência e a soberania nacionais, como é o caso excepcional do Irã. Historicamente, a burguesia iraniana teve de se colocar do lado das nações oprimidas que resistiam ao controle dos Estados Unidos, como foram a Síria, Líbano e Faixa de Gaza. No Iêmen, o Irã apoiou a fração nacionalista em choque com os interesses da Arábia Saudita e com o controle dos Estados Unidos. Se o Irã for derrotado, provavelmente, o regime do Iêmen padecerá das duras consequências.
Se depender estritamente da capacidade militar, o Irã não tem como derrotar a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel. A China e a Rússia, que são potências militar-nucleares, permanecem paralisadas em torno à diplomacia. Intervir em favor do Irã poderia abrir caminho para uma conflagração mundial.
Na reunião do G7, realizada em meados de junho, as forças do imperialismo se mostraram unidas em torno ao objetivo de destruir o programa nuclear do Irã. Trump ditou como condição para um cessar-fogo que o Irã se renda incondicionalmente. Na declaração final, se reitera o apoio ao Estado sionista de Israel e se proclama que o Estado iraniano “jamais poderá ter uma arma nuclear”. Isso quando os Estados Unidos e Reino Unido decidiram ampliar e reativar as usinas nucleares. O Banco Mundial cancelou a proibição de financiamento aos programas de energia nuclear. A Alemanha está decidida a seguir o mesmo caminho.
Ficou claro na reunião do G7 que os próximos passos serão de recrudescimento dos bombardeios ao Irã, com a participação dos Estados Unidos e dos europeus. Lula participou como convidado, posando na fotografia ao lado de Zelensky. Mais uma vez, se comportou como um falastrão na reunião dos chefes do imperialismo.
Está absolutamente claro que a defesa do Irã é parte da defesa do povo palestino e de todos os oprimidos do Oriente Médio. Da mesma forma, a luta pela autodeterminação dos palestinos e pelo fim do genocídio faz parte do combate pela independência e soberania do Irã. Os desequilíbrios entre as forças em choque vão aumentar e corre-se o risco da guerra se ampliar. Não se pode desvincular o que se passa na Faixa de Gaza e no Irã da guerra na Ucrânia, bem como da guerra comercial em curso dos Estados Unidos com a China.
Predominam as tendências bélicas sobre a diplomacia. Está nas mãos das massas oprimidas e, principalmente, do proletariado a tarefa de defender e lutar ao lado das nações oprimidas. O curso das guerras coloca objetivamente para os explorados se erguerem encarnando o programa da revolução social e constituindo a frente única anti-imperialista. Essa tem sido a orientação do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional (CERQUI) e assumida firmemente pela seção brasileira, o POR.