• 02 jul 2025

    Israel segue estrangulando a Faixa de Gaza

Israel segue estrangulando a Faixa de Gaza

Que as direções das centrais e movimentos convoquem um Dia Nacional de Luta

Chegamos a 21 meses de massacre ininterrupto dos palestinos da Faixa de Gaza. Mesmo no curto período de cessar-fogo, palestinos foram mortos em Gaza e na Cisjordânia. Em 2025, a principal tática israelense tem sido a fome e o cerco como armas de guerra. As forças sionistas estrangularam o território palestino. Impediram que a própria ONU fornecesse a “ajuda humanitária”, e passaram a controlar a distribuição de ração através de uma única empresa manejada pelos Estados Unidos e pelo próprio Estado sionista.

A Fundação Humanitária de Gaza (FHG), uma empresa privada estadunidense, liderada por um religioso reacionário, é a responsável por fazer a distribuição de alimentos e outros suprimentos aos palestinos. Mais um motivo de lucro aos capitalistas. Diferente dos antigos postos da ONU, que alcançavam até 400 pontos de distribuição, o novo formato controlado por Israel tem apenas 4 pontos de distribuição de suprimentos, o que obviamente leva à aglomerações e tumultos, já que são milhares de palestinos famintos que se deslocam por muitos quilômetros. Obviamente, Israel busca atingir a organização do Hamas e de outros grupos de resistência.

Não bastassem as condições insalubres impostas coletivamente aos famintos que correm em busca dos alimentos, os palestinos têm sido alvejados nestes locais. Centenas já morreram assim. Famílias inteiras são destroçadas. Não existe outra opção aos palestinos – a produção própria foi inviabilizada como meio de guerra de dominação. 83% das terras cultiváveis e a mesma porcentagem da estrutura para distribuição de água foram danificadas nos ataques israelenses, o que impede que os palestinos retomem seu trabalho agrícola e pecuário. A estrutura fabril palestina, que já era débil, hoje, inexiste.

O cessar-fogo de Israel com o Irã tem servido para que o Estado sionista aumentar a força sobre a Faixa de Gaza. O bombardeio ao país persa responde à estratégia do imperialismo norte-americano de facilitar a anexação do que resta do território palestino. Desde o início da intervenção na Faixa de Gaza, ficou evidente que a burguesia judia e o imperialismo pretendiam ir muito além de um ataque fulminante ao Hamas e punição aos palestinos. O objetivo mais amplo se manifestou na ampliação da guerra para o Líbano, Síria e Irã.

Mesmo sem concluir seus objetivos em Gaza, Israel abriu uma nova frente de batalha com o Irã. De fato, a derrubada do regime dos Aiatolás é um objetivo estratégico para os sionistas. Recebeu uma resposta à altura, em seu próprio território, como não acontecia desde 1973, na guerra do Yom Kippur. Aceitou o cessar-fogo manejado pelos EUA, que antes disso enviou seus porta-aviões e atacou um posto iraniano. Trata-se de um cessar-fogo com a faca no pescoço dos iranianos. O país persa não tem como resistir por longo tempo aos ataques de Israel, EUA e aliados.

Nesta semana, o governo israelense ordenou que os palestinos se deslocassem mais uma vez do norte para o sul de Gaza, pois os ataques naquela região seriam intensos. Além disso, foram mais de 100 mortos na semana nas regiões de distribuição de “ajuda humanitária”. Como se vê, Israel continua sendo o fator de guerra e destruição no Oriente Médio, apoiado sempre pelos EUA, que se mantêm como fator de guerra no mundo todo. O fato deste país, governado por Trump, emitir declarações aqui e ali de que busca a “paz” no Oriente Médio só pode ser considerado em conjunto com os ataques que ele promoveu contra o Irã recentemente e com toda a ajuda financeira, militar e política (vide os vetos no conselho de segurança da ONU) que os EUA fornecem ao enclave sionista.

O combate à barbárie na Faixa de Gaza é uma tarefa histórica da luta de classes internacional, que se transforma em tarefa das direções políticas e movimentos populares em organizar e mobilizar o maior conjunto possível de trabalhadores para a luta, seja em que latitude estiver, seja qual for a distância até a Faixa de Gaza. Nesses 21 meses, o massacre sobre os palestinos tem sido o maior e melhor exemplo de até onde pode chegar a barbárie capitalista sobre os povos oprimidos do mundo todo. Trata-se então de avaliar se as respostas das direções no Brasil têm sido firmes e abrangentes.

Estamos distantes a pouco mais de 15 dias da maior marcha em apoio aos palestinos que o Brasil já viu. Foi uma manifestação de unidade de mais de 30 organizações sociais. No entanto, não se viu na sequência deste acontecimento as ações necessárias que deveriam ser tocadas pelas direções do movimento operário, popular e estudantil, no sentido de dar continuidade ao sentimento de rechaço das massas às ações do Estado de Israel. Não se viu a convocação de assembleias estudantis e de trabalhadores para organizar e preparar os próximos passos da luta. Não se viu, na sequência dessa grande manifestação, as ações concretas que pudessem dar passos no sentido dos objetivos buscados desde o Brasil, exigindo do governo Lula o rompimento com Israel e a interrupção dos envios de suprimentos militares voltados à matança dos palestinos em Gaza.

Essa ausência expõe, por um lado, a crise de direção que a afeta os movimentos sociais, e, por outro, coloca para a vanguarda com consciência de classe a tarefa de batalhar no interior de cada movimento, de cada frente de luta, para superar essa crise e colocar os sindicatos e movimentos de fato em defesa do povo palestino. Um movimento combativo no Brasil, sem dúvida, se chocaria com a inércia dos governos latino-americanos que em palavras condenam o genocídio, bem como os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, mas que na ação se mostra nulos ou quase nulos. Sem dúvida, se chocaria com os governos que apoiam Israel e se mostram serviçais dos Estados Unidos, a exemplo de Milei na Argentina. No Brasil, a luta pelo fim do genocídio, pela emancipação do povo palestino e pela autodeterminação do Irã esteve e pode estar na vanguarda latino-americana, confluindo com as manifestações em várias partes do mundo, incluindo os Estados Unidos. Essa responsabilidade foi posta em nossas mãos.

As condições para que se erga uma frente única anti-imperialista estão dadas pelas movimentações de trabalhadores no mundo todo. É preciso coordenar e organizar essas ações. O primeiro passo pode ser dado pela convocação imediata de um Dia Nacional de Luta, com paralisações e bloqueios, inclusive nos portos e aeroportos.

Operários, demais trabalhadores e juventude oprimida, devemos continuar alerta. A guerra contra o Irã poderá retornar. O genocídio sionista na Faixa de Gaza continua a avançar. A crise mundial não arrefece. A guerra na Ucrânia se mantém acesa. Somente a classe operária, unida, em luta, e na direção da maioria oprimida tem como fazer frente a marcha ascendente da escalada militar, impulsionada pelos Estados Unidos e aliados imperialistas. Nesse enfrentamento, os explorados têm sua arma histórica: a revolução social, que é proletária e socialista!

O Partido Operário Revolucionário (POR), seção do Comitê de Enlace pela Reconstrução da Quarta Internacional (CERQUI), vem perante os trabalhadores e suas organizações defender a organização de um Dia Nacional de Luta que una os trabalhadores em torno às suas reivindicações e às bandeiras de fim das guerras de dominação.