• 25 out 2025

    108 anos da Revolução Russa

Em defesa da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)

Reconstruir o Partido Mundial da Revolução Socialista, a IV Internacional

Em 25 de outubro de 1917, a classe operária russa, aliada aos camponeses pobres, derrotava as forças contrarrevolucionárias da burguesia interna e do imperialismo e conquistava o poder do Estado. Emergia o primeiro Estado operário vitorioso, projetando os métodos da revolução social que ganharam forma histórica com a Comuna de Paris, em 1871. A primeira revolução proletária esmagada expôs o fundamento de classe do Estado burguês, que é o da ditadura da minoria exploradora sobre a maioria explorada. Ao mesmo tempo, comprovou a tese do socialismo científico de que a classe operária é a única força social capaz de combater a dominação de classe e emancipar os explorados de toda forma de exploração e opressão. Esse foi o mais importante legado da Revolução de 1871, que estabeleceu o marco inicial do processo de transição do capitalismo ao socialismo, e do socialismo ao comunismo.

A Revolução de Outubro de 1917, do ponto de vista histórico, foi a continuidade da transição iniciada a 46 anos pela Comuna de Paris. O vínculo entre a tomada do poder do Estado na França e na Rússia expôs a unidade mundial do proletariado, o internacionalismo e as condições de sua organização como classe independente e orientada pela teoria do socialismo científico e pelo programa da revolução social.

O primeiro passo nesse sentido foi o da constituição da Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional), dirigida por Marx e Engels, assentada no Manifesto do Partido Comunista, concebido em 1848 como programa da construção do partido revolucionário do proletariado. A derrota da Comuna encerrou provisoriamente a I Internacional. O fundamental dessa experiência está em que permitiu a sedimentação do objetivo de constituição dos partidos marxistas em toda a parte e a edificação de um Partido Mundial da Revolução Socialista.

Logo após a dissolução da I Internacional em 1876, o movimento socialista realizou um Congresso em 1889 e fundou a II Internacional. Esse passo alargou o horizonte do internacionalismo proletário. A luta de classes pavimentou o caminho da construção do Partido Mundial da Revolução Socialista. O trabalho da vanguarda revolucionária voltado a organizar a luta pelo socialismo nas condições objetivas de cada país e uni-la em uma só força sob o programa do internacionalismo proletário passou a ter um alcance muito superior às experiências do período de 1848 a 1889.

O capitalismo chegava ao fim de sua fase liberal de desenvolvimento das forças produtivas e iniciava a sua fase superior imperialista, expondo suas tendências regressivas e desintegradoras. Em última instância, havia estreitada e esgotada a possibilidade de reformas. O capitalismo internacionalizado alcançava o completo amadurecimento das premissas históricas das revoluções proletárias. Em outras palavras, o capitalismo da época imperialista não podia resolver as tarefas democráticas pendentes, resultantes do desenvolvimento desigual e combinado das nações. A interdependência entre o estágio mais avançado e o mais atrasado das forças produtivas havia deixado para trás as revoluções democrático-burguesas e estabelecido as condições para as revoluções socialistas. Passava a predominar o choque entre as forças produtivas chefiadas pelo imperialismo e os Estados nacionais. A concentração monopolista e o agigantamento do capital financeiro parasitário, controlado por um pequeno número de países, agudizaram as contradições nacionais e de classes.

Nessas condições, as potências imperialistas desencadearam a Primeira Guerra Mundial. Diante de um deslocamento tão grande de forças capitalistas em disputa por mercados, por fontes de matérias-primas e pela penetração de capitais, a direção da II Internacional se mostrou adaptada às pressões das frações da burguesia imperialista e subordinadas ao parlamentarismo. O reformismo e o pacifismo pequeno-burguês haviam minado as bases originárias da II Internacional. A Alemanha, por ter abrigado mais profundamente o processo de quebra da independência do Partido Socialdemocrata, sediou o revisionismo antimarxista, acabando por projetar o nacionalismo chauvinista.

Na Rússia, a divisão da socialdemocracia se destacou pela emersão da fração bolchevique sob a direção de Lênin, o que tornou possível a continuidade e o fortalecimento do socialismo científico. Os seus fundamentos se ampliaram teórica e programaticamente embasados nas novas condições do capitalismo, que adentrava na fase superior e última, que é a do imperialismo.

A guerra que arrastou a Europa para a destruição material e liquidação de milhões vidas humanas não guardava nenhum traço de progressividade como a das guerras anteriores que serviram à superação do velho regime feudal e à constituição dos Estados nacionais. O entroncamento da resistência da classe operária com o programa da revolução social se manifestou em toda a Europa conflagrada, mas foi na Rússia que levou o proletariado ao poder em Outubro de 1917, após a revolução de 1905 esmagada pelo poder monárquico e após a primeira fase da revolução em fevereiro de 1917.

O Partido Bolchevique derrotou os partidos pequeno-burgueses reformistas constituindo o programa da revolução proletária no interior da classe operária russa e internacional. E, finalmente, os derrotou na prática, dirigindo o proletariado em aliança com os camponeses sob a estratégia e a tática decorrentes do princípio programático da ditadura do proletariado e da revolução nacional como parte da revolução socialista mundial. A vitória de Outubro demonstrou ser uma conquista do internacionalismo proletário. As tarefas democráticas decorrentes das particularidades da Rússia atrasada e da mecânica das classes foram resolvidas por meio de profundas reformas sob o governo operário e camponês, a democracia soviética e a ditadura do proletariado. Esse curso se estabeleceu nas condições de transição do capitalismo ao socialismo, que quanto à forma era nacional e quanto ao conteúdo, internacional.

A constituição da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 30 de dezembro de 1922 entrelaçou os povos oprimidos pelo império czarista, possibilitou dar os primeiros passos no sentido da superação da opressão nacional e abriu uma poderosa trincheira contra a dominação imperialista. A URSS foi concebida e organizada sob a direção do Partido Bolchevique como órgão da luta de classes e instrumento da transição do capitalismo ao socialismo. Nesse mesmo campo de combate, em 1919 realizou-se o Congresso de fundação da III Internacional. A Revolução Russa se elevou como o principal pilar da luta de classes mundial. O que resultou na organização do Partido Mundial da Revolução Socialista.

A II Internacional reformista foi soterrada pelo vulcão da revolução proletária. A I Internacional ressurgiu como um posto avançado da revolução social nas entranhas da III Internacional. Os Quatro Primeiros Congressos da Internacional Comunista, dirigidos por Lênin e Trotsky, deram uma projeção programática e organizativa ao socialismo científico, colocando-o ao alcance da vanguarda que se despontou e do proletariado mundial que se despertou. Ao mesmo tempo, a burguesia internacional impôs derrotas ao proletariado em vários países, destacando-se as da classe operária alemã. Internamente à URSS, cresceram as pressões voltadas a obstaculizar o desenvolvimento das novas relações de produção e inviabilizar a transição do capitalismo ao socialismo. A potencialidade das transformações históricas, originadas da revolução, edificação da URSS e formação da III Internacional, impediu que as derrotas do proletariado mundial resultassem em derrocada das conquistas de Outubro. No entanto, favoreceram as forças internas restauracionistas do capitalismo. Gestou-se um movimento revisionista no seio do Partido Comunista Russo, do Estado Operário e, consequentemente, da III Internacional. Erigiu-se um órgão da contrarrevolução termidoriana restauracionista.

A burocratização do Estado operário se manifestou como um fenômeno contraditório com o processo de transição do capitalismo ao socialismo, ou seja, com o desenvolvimento das forças produtivas plasmadas pela propriedade social. A burocratização favoreceu um novo tipo de nacionalismo – o socialismo nacional. Stalin e Trotsky encarnaram os dois polos da contradição entre o socialismo nacional e o internacionalismo proletário. Esse embate se originou já em 1923 e se consolidou a partir de 1924, com a morte de Lênin. No primeiro momento, parecia ser possível resolver o conflito em favor dos fundamentos marxista-leninistas. Mas, em 1927, já estava estabelecido o domínio da burocracia estalinista, que se impôs por cima da democracia partidária e da democracia soviética. A ditadura burocrática se firmou como órgão da restauração capitalista, derrotando a Oposição de Esquerda.

A URSS pôde se sustentar devido ao agravamento dos choques interimperialistas, que não só não foram superados pela guerra como se potenciaram depois da partilha do mundo, negociada pelas potências vencedoras no acordo de Versalhes, em 1918. A previsão da III Internacional da época de Lênin, de que era preciso preparar o proletariado para enfrentar a escalada militar e de que poderia desembocar em uma nova guerra mundial, se comprovou. A partir de 1929, as forças de imperialismo voltaram a confrontar-se em torno a uma nova partilha do mundo. Dez anos depois, eclodia a Segunda Guerra Mundial. Em maio de 1943, em plena guerra, Stalin dissolveu a III Internacional, acenando aos aliados imperialistas que a URSS estava sob a direção de uma política de coexistência pacífica. Linha essa que correspondia à tese sobre a possibilidade da construção do socialismo em um só país.

A liquidação da III Internacional foi uma medida contrária ao desenvolvimento da luta de classes mundial, cuja orientação leninista era a de transformar a guerra entre Estados em guerra civil pela tomada do poder pelo proletariado. Esse curso negativo à transição do capitalismo ao socialismo contou com a Oposição de Esquerda empenhada inicialmente em reformar o partido e a democracia soviética. E, em seguida, a partir de 1933, com ascensão de Hitler, derrubar a burocracia restauracionista por meio da revolução política e constituir um movimento por uma nova Internacional.

A fundação da IV Internacional em 1938 antecipou em alguns anos a liquidação da III Internacional. As condições, no entanto, eram extremamente adversas. A IV Internacional se constituiu na contracorrente das forças triunfantes do imperialismo e das forças auxiliares encarnadas pela burocracia estalinista. As derrotas da resistência operária se deveram à ação do imperialismo e dos partidos comunistas estalinizados. A IV Internacional nascitura não teve como servir ao proletariado, embora o Programa de Transição estivesse alicerçado nas condições objetivas do capitalismo em decomposição. Do ponto de vista histórico, o fundamental é que a IV Internacional estava destinada a dar continuidade à III Internacional da época de Lênin.

A burocracia estalinista saiu fortalecida da Segunda Guerra, o que possibilitou retardar o processo de restauração capitalista. A IV Internacional se estilhaçou sob a direção pequeno-burguesa, que, pressionada pelos acontecimentos, recorreu ao revisionismo capitulando perante o estalinismo, em meados de 1950. Nenhuma de suas frações foi capaz de se colocar à altura do Programa de Transição.

O fim da Segunda Guerra Mundial abriu uma nova etapa do cerco imperialista à URSS e do reanimamento das forças internas pró-capitalistas. Na década de 1980, essas forças, impulsionadas pelo próprio Partido Comunista Russo, ergueram a cabeça e tomaram a iniciativa de dinamizar a restauração capitalista. Em dezembro de 1991, a URSS foi desmoronada. O termidor estalinista, que se despontou em 1924, cumpriu sua função contrarrevolucionária depois de quase sete décadas. A IV Internacional já não existia como organização e a crise de direção havia se potenciado como nunca antes visto. Seus reflexos se manifestaram nas reformas pró-capitalistas na China, iniciadas em fins dos anos de 1970.

Nesses aproximadamente quarenta e cinco anos de predomínio da restauração capitalista, a crise mundial não se arrefeceu, ainda que tenha sido processada com altos e baixos. A guerra na Ucrânia que se prolonga por mais três anos é o acontecimento mundial mais importante por se manifestar na Europa, expressar a restauração capitalista, demonstrar a gravidade da liquidação da URSS, representar o renascimento da opressão nacional e expor o cerco imperialista à Rússia, tanto econômico quanto militar. Essa guerra estampa a crise de direção na sua forma mais dramática, que é a de dilacerar a classe operária das ex-repúblicas soviéticas e de se desenvolver contando com uma brutal passividade das massas europeias oprimidas. O imperialismo se apoia na restauração capitalista para apontar as armas da OTAN à Rússia e forçar a Ucrânia a se submeter ao capital internacional.

A intervenção militar do Estado sionista de Israel na Faixa de Gaza, por sua vez, envolveu o Oriente Médio na escalada bélica de ordem mundial. Ao retratar a face mais dramática da barbárie social, desencadeou um significativo movimento das massas mundiais. Esse contraponto com a guerra na Ucrânia dá a dimensão da luta de classes neste momento em que a Revolução Russa completa 108 anos. Certamente, a movimentação das massas na Europa está marcada pela desintegração do capitalismo e em suas entranhas pela guerra na Ucrânia. As presentes guerras de dominação contra as quais a vanguarda revolucionária vem lutando têm como lastro as etapas da crise do capitalismo do pós-guerra. Tudo indica que a guerra comercial dos Estados Unidos com a China se desdobra em escalada militar. Eis por que os Estados Unidos vêm reforçando sua intervenção na América Latina.

Nos marcos de confrontos econômicos e militares, emerge o programa da revolução social, ao mesmo tempo que expõe a necessidade de superar a crise de direção. Emerge, sensivelmente, as conquistas da Revolução Russa. Cada vez mais a classe operária e demais explorados se voltarão a reconhecer e a assimilar as experiências revolucionárias do passado. Entre elas, a Revolução Russa é o mais poderoso farol da humanidade,

O POR, como membro do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional (CERQUI), levantou ontem e levanta hoje as bandeiras: Em defesa da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Reconstruir o Partido Mundial da Revolução Socialista, a IV Internacional.

Viva os 108 anos da Revolução Russa!

Marchemos empunhando o programa da revolução social!

Levantemos bem alto a bandeira do internacionalismo proletário!

25 de outubro de 2025