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29 out 2025
MAIOR CHACINA DA HISTÓRIA DO RIO DE JANEIRO
QUE AS CENTRAIS, SINDICATOS E MOVIMENTOS ORGANIZEM IMEDIATAMENTE AS MANIFESTAÇÕES
Por um Tribunal Popular, organizado pelos sindicatos e movimentos populares, para investigar, julgar e punir os crimes de classe da burguesia e de seus governos contra os trabalhadores!
POR UMA RESPOSTA PRÓPRIA À VIOLÊNCIA E À BARBÁRIE SOCIAL DESFECHADAS PELO GOVERNO CASTRO CONTRA ÀS MASSAS EXPLORADAS
A maior chacina da história do Rio de Janeiro aconteceu nesta terça-feira, 28 de outubro de 2025. As polícias militar e civil, a mando do governador do Estado Cláudio Castro, do PL, com a conivência do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes e do Governo Federal de Lula/Alckmin, invadiram os complexos do Alemão e da Penha para promover a maior barbárie que o Rio de Janeiro já viu. A mídia canalha já cumpre seu papel, justificando as mortes e falando em “operação” e não em chacina, que o governo está reagindo à violência dos traficantes e combatendo o crime organizado.
Não por acaso, Castro e todos os governadores de ultradireita e direita seguem os ditames de Trump, que usa a qualificação de “narcoterrorismo” para cercar a Venezuela e a Colômbia. Agora mesmo, quando no Rio de Janeiro a “Operação Contenção” provocava mais de 130 mortes, os Estados Unidos atacavam barcos em águas internacionais e matava 14 tripulantes. Somadas às mortes anteriores, perfazem 57 mortos. Castro faz parte daqueles que se submetem e se curvam diante do imperialismo norte-americano e, em particular, seguem o que Trump ditar. Eis por que, desta vez, a guerra no estado do Rio foi mais um dos acontecimentos mortíferos que expressam a decomposição econômica e social do capitalismo no Brasil.
O governador do estado do Rio, Claudio Castro, enviou mais de 2500 polícias numa área de nove mil quilômetros quadrados, adentrando a comunidade no período da manhã, quando a população saía de casa para trabalhar e as crianças iam para as escolas. Tem o orgulho de afirmar que a “operação” foi planejada em mais de 60 dias junto ao ministério público do Rio de Janeiro e em conjunto com a polícia civil e militar. Elogiou a violência como sendo de defesa para frear o avanço territorial do Comando Vermelho. Favelas do complexo do Alemão e da Penha, que contam com mais de 150 mil moradores, ficaram em chamas, uma situação que desgraçadamente é conhecida da população: em maio de 2021, foram 28 mortos no Jacarezinho, em 2022, 23 mortos na Penha, em 2007, 19 mortos no complexo do Alemão etc.
No dia 28 de outubro, a mídia burguesa informou que a chacina resultou em 64 mortos, sendo 60 “suspeitos”, 4 policiais; e 81 foram presos. Porém, um dia depois do massacre, a população das comunidades atingidas formaram uma fileira de cadáveres, estendidos pela rua da Praça da Penha após mais de 60 corpos serem encontrados na mata do Complexo da Penha, zona Norte do Rio de Janeiro, como forma de protesto contra a brutal ação policial do estado. Tal ação escancarou que o número de mortes, na verdade, ultrapassou a marca dos 130, contrariando o que a polícia e a mídia burguesa colocaram.
Supondo que seja verdade que os governos burgueses queiram liquidar o tráfico, a chacina no Rio é prova da velha política burguesa para o crime: querer liquidar as facções com repressão pura e simples, sem acabar com as condições sociais e econômicas que formam o terreno onde brota o crime.
Castro acusa o governo Lula de não fazer nada, o Ministro da Justiça fala que atenderam a todos os pedidos de Castro. E nesse jogo de empurra-empurra sobra sempre para a maioria explorada. O governo federal de Lula/Alckmin, no entanto, com a declaração de Gleise, ressalta a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional e prega a necessidade de articulação entre forças de segurança no combate ao crime organizado, o fortalecimento da Polícia Federal e o fornecimento de mais armas, equipamentos e tropas para operações decididas isoladamente por governos locais. O governo sanguinário de Castro ainda diz que se tiver de “exceder”, assim o fará.
Castro também determinou que os ônibus continuassem funcionando, colocando a população em meio ao tiroteio, afirmando planejamento e ignorando o caos social. Diz, “estamos atuando com força máxima e de forma integrada para deixar claro que o poder é do Estado.” Mais de 200 barricadas foram feitas como forma de impedir a chacina. Em um dos dias mais marcantes da história do Rio, foram afetadas a linha vermelha, a linha amarela e a Avenida Brasil, que ligam os principais pontos da cidade. O caos no transporte afetou centenas de linhas de ônibus e, no metrô, muitos trabalhadores tiveram de pular a catraca. Universidades, como UFRJ e UERJ, tiveram parte das aulas suspensas devido a chacina, mas tal suspensão só ocorreu quando a chacina já tinha sido deflagrada no começo do dia, o que colocou em risco vários estudantes, terceirizados e professores que já estavam nos campus na hora que o massacre se iniciou.
Em meio a essa guerra civil colocada, a Secretaria de Segurança Pública entregou um relatório para o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro para o governo de Trump, classificando o Comando Vermelho como organização de grupo terrorista. Já de muito tempo, o imperialismo norte-americano quer classificar as organizações criminosas do estado como terroristas e assim justificar a intervenção norte-americana em solo nacional com a desculpa de conter as facções.
O fundamental é que as massas exploradas do Rio de Janeiro seguem reféns do narcotráfico, das milícias e da máquina de guerra do Estado. Essa situação de decomposição e barbárie completa provoca nos trabalhadores a mais pura sensação de impotência. Os protestos espontâneos que aconteceram não possuem força para mudar o curso dos acontecimentos. A raiz desse problema está no fato de a classe operária e os demais trabalhadores explorados, principalmente aqueles que moram nos subúrbios, morros e favelas, não podem contar com nenhuma organização própria que tenha força para dar uma resposta independente ao problema. A crise de direção revolucionária do proletariado é o fator principal.
A sensação de impotência só pode se desfazer através da luta de classes. Os trabalhadores devem exigir que os sindicatos, as centrais sindicais e os movimentos populares e estudantis convoquem manifestações imediatamente para exigir o fim do terrorismo de Estado e o fim da matança. As notas de solidariedade, que as direções sindicais publicaram em seus sites de nada servem, se não fizerem parte de uma campanha real para organizar a luta e dar aos trabalhadores a possibilidade de ter uma resposta própria.
A tranquilidade com que Cláudio Castro dá entrevistas depois que sua polícia matou mais de 130 pessoas só é possível porque sabe que as organizações dos trabalhadores não oferecem perigo ao seu governo. O governismo das direções sindicais e políticas faz com que suas respostas sempre apontem para as eleições do ano que vem. Dizem aos trabalhadores que devem “votar melhor”, mas os explorados já estão cansados dessa ladainha. Sabem pela prática que, entra ano e sai ano, chega eleição e passa eleição, sua situação de miséria e de violência não muda. É preciso dar curso aos instintos de revolta das massas exploradas.
Da burguesia, da classe média rica, dos governos e dos parlamentares não se deve esperar nada. É preciso que os trabalhadores, que são a maioria, reajam com uma política própria e independente. É preciso responder à barbárie com os métodos da luta de classes, que são as greves, bloqueios, manifestações massivas e organizadas e com o programa próprio de reivindicações que unifica a maioria dos explorados.
Para responder à violência policial é preciso defender as condições de vida e de existência dos trabalhadores:
Fim imediato das operações policiais nos morros e favelas.
Fim do genocídio da população pobre e preta que é a maioria nas favelas e comunidades.
Nenhuma demissão de trabalhador devido ao caos e à violência que se instalou no Rio.
Que as Centrais, sindicatos e movimentos convoquem imediatamente um Dia Nacional de Luta, com paralisações e bloqueios, como forma de iniciar a luta contra a violência policial estatal e pelas reivindicações dos explorados, por empregos, salários e direitos.
Por um Tribunal Popular, organizado pelos sindicatos e movimentos populares, para investigar, julgar e punir os crimes de classe da burguesia e de seus governos contra os trabalhadores!
Não à máscara sangrenta da guerra ao narcotráfico de Trump!
Organizar a frente única anti-imperialista em defesa da soberania nacional e expulsão dos Estados Unidos da América Latina
Abaixo o capitalismo em sua agonia de morte!
Em defesa da revolução social e do socialismo!