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29 nov 2025
Não arredar o pé! Exigir dos sindicatos, centrais e movimentos que impulsionem a luta em defesa da Palestina!
O cessar-fogo entre as forças de resistência palestinas e Israel tem se mostrado a cada dia como uma forma de bloquear a resistência internacional, seja das grandes e constantes manifestações que aconteciam nos últimos meses, seja das reações institucionais de governos, que também vinham num crescente conforme os números do genocídio ficavam maiores e mais evidentes. O falso cessar-fogo (foram dezenas de ataques com mais de 300 mortes, entre elas 67 crianças só no último mês) desembocou no plano de Trump, aprovado no Conselho de Segurança da ONU, com votos de abstenção da China e da Rússia, dois países que possuem poder de veto, mas que preferiram “lavar as mãos”.
A crise capitalista internacional, na forma da guerra comercial dos EUA contra a China, e na forma de debacle econômico dos EUA, Europa e outras regiões, levando ao rearmamento da Europa, Japão etc., bem como as guerras de dominação na Ucrânia e os conflitos sanguinários na África formam a base sobre a qual o conflito em Gaza se desenvolve. A carnificina na Faixa de Gaza é parte da decomposição geral do capitalismo. A partilha do mundo realizada nos acordos de Yalta e Potsdam no pós Segunda Guerra Mundial se mostra esgotada exigindo do imperialismo, para manter seu controle hegemônico e apropriação de fontes de matérias-primas e rotas comerciais, o estabelecimento de uma nova partilha do mundo e a consequente eliminação dos focos de resistência. A crise no Oriente Médio tem esse fundamento.
O poder de veto, não utilizado pela Rússia e China quando era preciso, foi usado diversas vezes pelos EUA contra propostas de cessar-fogo feitas por outros países. Agora, Trump apresenta uma proposta que não passa de uma forma descarada de desarmar a resistência palestina e colocar Gaza e a Cisjordânia definitivamente sob a tutela do imperialismo. O argumento de que o futuro governo da Palestina será “tecnocrata e apolítico” é um escárnio. Nada mais político e menos técnico do que a criação de uma “força internacional” para a consecução do plano, composta por agentes e militares dos EUA, Israel e países europeus. Nem mesmo a Autoridade Nacional Palestina, aceita por setores do imperialismo, foi convidada para compor o comitê, que tem se reunido no interior de Israel e indicará o próximo governo imediato da Palestina. O quadro se completa com a França ficando responsável por dirigir os trabalhos de redação da Constituição de um suposto Estado da Palestina.
Concretamente, o plano de Trump representa a anexação da Palestina sob a tutela do imperialismo, sem a possibilidade de qualquer resistência, caso o Hamas seja desarmado, como determina um dos pontos do plano. Até o momento o Hamas se nega a entregar as armas e declara: “atribuir tarefas e funções à força internacional dentro da Faixa de Gaza, incluindo o desarmamento da resistência, retira-lhe a neutralidade e transforma-a numa parte do conflito a favor da ocupação”. Apesar das declarações, segue sendo cada vez mais difícil para o Hamas manter a resistência e se contrapor ao plano, principalmente agora com a chancela da ONU.
A crise política se entrelaça com a crise econômica. As condições materiais de sobrevivência na Faixa de Gaza são as piores possíveis. Um recente relatório da Organização das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) mostra que os dois anos de genocídio retardaram a economia da Palestina em mais de 20 anos. Embora a recessão tenha sido grave em toda a Palestina, Gaza sofreu o impacto mais devastador: o PIB contraiu 83% em 2024; o PIB per capita caiu para 161 dólares, apenas 6,4% do pico de 2005. Os dados indicam que a inflação disparou 238%, o desemprego alcançou 80% e toda a população foi empurrada à miséria. Até abril de 2025, cerca de 70% das estruturas de Gaza estavam danificadas, ou mais de 174.500 edifícios. A Unctad destaca que já foram perdidos 69 anos de desenvolvimento humano.
Israel se aproveita da máscara do cessar-fogo para avançar sobre a Cisjordânia. Na última quarta-feira (26), promoveu uma operação realizando um grande cerco em diversas cidades, impedindo a passagem por estradas principais e realizando disparos sobre as cidades e campos por helicópteros. A ação é uma das maiores sobre a Cisjordânia no último período. O Hamas condenou a ação israelense, “Apelamos aos mais altos níveis de unidade internacional no enfrentamento desta guerra declarada na Cisjordânia, unindo esforços populares, políticos e em campo para repelir a política de extermínio da ocupação, pois esta batalha exige que todos se juntem à trincheira da resistência”. Um apelo para o vazio já que a votação da ONU para o plano de Trump mostrou o contrário, uma união internacional para aprovar o plano do imperialismo de controle da Palestina.
A luta em defesa da Palestina entra agora em uma fase ainda mais difícil, já que o cessar-fogo e o plano aprovado na ONU promovem um recuo da resistência internacional, ou seja, das grandes manifestações, que ao longo desses mais de dois anos foi o principal ponto de apoio da resistência armada no território palestino. Nota-se também que todas as ilusões democratizantes na ONU e nos organismos internacionais da própria burguesia foram por água abaixo. O imperialismo não pode oferecer nenhuma saída progressiva para os povos oprimidos do mundo todo.
A classe operária, os demais trabalhadores, a juventude oprimida buscam uma saída como podem. Como não encontram seu partido revolucionário nacional e internacional, constituído no interior das massas exploradas, recorrem aos instintos de revolta e aos levantes espontâneos, é o que temos visto no Nepal, em Madagascar, no Peru etc. A burguesia tenta criar a ideia de que se trata de conflitos geracionais, de uma “geração Z” insatisfeita. Uma cortina de fumaça para ocultar os verdadeiros motivos radicados na miséria, na fome, no desemprego, na falta de perspectiva promovida, não pela geração mais velha, mas pelo capitalismo apodrecido. E se o capitalismo não pode oferecer mais nada às novas e às velhas gerações, então que morra!
A tarefa dos trabalhadores é a de unificar as reivindicações imediatas em relação às necessidades materiais mais sentidas, no caso da Palestina, o fim do genocídio, retirada das tropas sionistas e imperialistas, não à paz dos cemitérios de Trump e autodeterminação do povo palestino, com as reivindicações estratégicas, que implicam a construção do partido operário revolucionário em cada país e a reconstrução da IV Internacional. A bandeira de uma República Socialista da Palestina, como parte dos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio, é a única que pode unificar os trabalhadores judeus e árabes na luta classista e revolucionária em defesa da Palestina.
Levantar bem alto a bandeira de autodeterminação do povo palestino!
Fora imperialismo do Oriente Médio!
Por uma República Socialista da palestina como parte dos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio!