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11 jan 2026
Notas do POR da Bolívia, seção do Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional
BOLÍVIA NÃO SE VENDE CARAJO, BOLÍVIA SE DEFENDE!
VIVA A LUTA DO POVO CONTRA O MALDITO DECRETO 5503!
A gigantesca e combativa marcha de Calamarca, reunida com centenas de milhares de mineiros, operários, camponeses e professores, convocada pela COB, entrou na sede do governo, evidenciando a retumbante repulsa da grande maioria dos trabalhadores ao maldito decreto 5503 do governo dos ricos famintos, traidores, capangas do imperialismo ianque.
NEM UM PASSO PARA TRÁS!
Ocupar as ruas e estradas em todo o país até que sejam anuladas
RUMO À PARALISAÇÃO DO PAÍS COM BLOQUEIOS DE ESTRADAS E GRANDES MOBILIZAÇÕES NAS CIDADES
NÃO ESMORECER NOS OBJETIVOS DA LUTA: REVOGAÇÃO DE TODO O DECRETO 5503, O FIM DA SUBVENÇÃO ESTÁ LIGADO AOS ARTIGOS DE ENTREGA DO PAÍS ÀS MULTINACIONAIS.
APROFUNDAR A LUTA E MANTER UMA POSIÇÃO FIRME DA DIREÇÃO DA COB, MINEIRA E FABRIL
É fato que os diferentes setores têm compreendido o conteúdo do decreto maldito, razão pela qual foi observada uma incorporação massiva de diferentes setores às mobilizações convocadas pela Central Operária Boliviana. Prova disso é a enorme e apoteótica Marcha Nacional que partiu da cidade de El Alto para a sede do governo.
Em amplos setores populares, dos trabalhadores das cidades e do campo, já é evidente que este é o governo dos ricos, dos interesses dos empresários e dos gringos do norte que põem à venda o país alienando nossos recursos naturais em favor de corporações multinacionais.
A desilusão de amplas camadas da pequena burguesia popular com o corrupto governo do MAS levou à “vitória democrática” do binômio improvisado Paz-Lara. “Governo traidor”, eles o chamam, “recebeu nosso voto e agora ataca brutalmente os bolsos dos mais necessitados”, gritando durante toda a marcha: “Que bom, quão lindo, quão belo deve ser, Lara para o asilo e o frango para a frigideira.”
O governo quer se mostrar forte apesar de a rejeição popular, com a repressão à mobilização e contra o sindicalismo, anunciando a eliminação da contribuição sindical obrigatória. Assim, tentando destruir as organizações sindicais dos trabalhadores e das classes médias oprimidas. Estrangulá-los economicamente. Uma orientação fascista típica.
Alguns meses após sua posse, a ideia de que este governo deve sair, que deve ser derrubado, está amadurecendo rapidamente entre aqueles que estão na base.
Na última instrução da COB, por resolução do Cabildo de El Alto, se estabelece que há “Um único ponto inegociável: A REVOGAÇÃO TOTAL DO DECRETO SUPREMO Nº 5503. Mas, ao mesmo tempo, “propondo que o Poder Executivo emita um novo decreto supremo referindo-se exclusivamente à questão do subsídio, dos bônus sociais e do aumento salarial, e que os outros aspectos sejam debatidos e tratados na Assembleia Legislativa Plurinacional, no âmbito de suas atribuições constitucionais”
Esta orientação da direção da COB não é apenas um erro grave, mas também cheira à capitulação: separar a questão do fim da subvenção dos demais artigos que vendem o país às multinacionais e privilegiam os interesses dos empreendedores agroindustriais.
Por que o governo aplicou esses dois aspectos do decreto juntos? Porque faz parte de uma única política pró-negócios e pró-multinacionais do governo burguês neoliberal vendido.
Levantar esperanças de que a Assembleia Legislativa Plurinacional possa revisar e anular alguns artigos é pedir peras do olmo. É impossível que o reduto de neoliberais vende-pátrias (PDC, UNIDAD LIBRE. JUNTE-SE), que constituem a maioria no parlamento, se oponham ao seu governo e à embaixada dos EUA. Não se pode distrair os trabalhadores em luta com alternativas legais sobre à inconstitucionalidade de muitos artigos do decreto. Todos sabemos que a Constituição é letra morta e que é violada, coitada, por todos os governos de acordo com os interesses dos exploradores.
Apenas a mobilização e a ação direta das massas conseguirão dobrar o ditador vende-pátria e esfomeador
SE O GOVERNO NÃO QUISER REVOGAR TODO O DECRETO MALDITO, ENTÃO TERÁ DE SAIR
DENUNCIAMOS O ATAQUE COVARDE CONTRA NOSSA CAMARADA VILMA PLATA PELOS MEMBROS DO MAS INFILTRADOS NA MARCHA CONTRA O MALDITO DECRETO 5503
Nossa camarada, Vilma Plata, incansável lutadora contra todos os governos vende-pátrias da ditadura burguesa foi barbaramente agredida por desaforados cocaleros masistas do Trópico de Cochabamba infiltrados na marcha, por ela exigir que fossem removidos da marcha.
Apontamos que não devemos permitir que o evismo tente tirar vantagem política da luta contra o governo neoliberal que chegou ao poder com base no descrédito popular da impostura do MAS, que inicialmente despertou ilusões nas massas devido à figura do camponês indígena Evo Morales como presidente da Bolívia oprimida pela burguesia brancoide. Mas sua política reformista pró-burguesa determinou que governasse para os ricos e que acabasse afundado na poça da corrupção da política burguesa.
A verdadeira unidade do povo só pode ocorrer dentro do quadro da independência sindical e política dos trabalhadores, dos camponeses, das classes médias empobrecidas e agora brutalmente espancadas pelo golpe do fim da subvenção aos combustíveis.
4 de janeiro de 2026
DIANTE DA CONVOCAÇÃO DO GOVERNO À COB POR UM DIÁLOGO ABERTO
INTERESSES NACIONAIS E POPULARES SÃO INCOMPATÍVEIS COM O CONTEÚDO NEOLIBERAL DO MALDITO DECRETO 5503
O POVO, VÍTIMA DO DECRETO DE FOME QUE ALIENA O PAÍS, NÃO PODE ESPERAR NADA DO DIÁLOGO COM SEUS CARRASCOS
Os explorados, especialmente os trabalhadores, estão tomando consciência do conteúdo anti-nacional de fome e vende-pátria do maldito decreto 5503, mantendo as mobilizações apesar das festividades de fim de ano, exigindo sua revogação. O governo, temendo que a mobilização e a resistência popular ao decreto continuem a se fortalecer a partir de 5 de janeiro, convocou um “diálogo aberto com a COB”, na esperança de conter a mobilização e arrastar a direção para a armadilha das mesas técnicas.
O ampliado da COB decidiu atender ao chamado do governo, após a mobilização marcada para 5 de janeiro e após a realização de um Cabildo para propor a revogação do decreto. Quando perguntado se haverá alguma possibilidade de negociação, Argollo responde: “que, de uma vez, o governo se toque o coração, se sensibilize com o povo mobilizado […] haverá que conseguir um novo decreto, mas com a participação de todos os atores do país […] (para que) todos possamos seguir em frente. Não só aqueles que estão na base pagarão pelos pratos rotos destas medidas econômicas, também aqueles que estão no topo tem de fazer sua parte…”
Essa possibilidade não vai acontecer. É um erro grave despertar falsas ilusões e, pior ainda, a ideia de que ricos e pobres compartilham o sacrifício. Que os ricos paguem pela crise!
O maldito decreto deve ser esmagado com uma mobilização poderosa de todos os explorados.
O decreto maldito é a resposta burguesa à crise econômica sob as condições do governo dos EUA, para dar apoio econômico ao governo Paz-Lara. Endividar o país com os abutres financeiros do imperialismo e entregar nossos recursos naturais à voracidade imperialista em troca de impostos miseráveis e royalties; livre mercado sem interferência do Estado, para que a burguesia nativa possa se enriquecer sem obstáculos (“travas”) às custas da miséria do povo trabalhador e da alienação do país.
Então, o que se pode esperar de um diálogo entre vítimas e carrascos? NADA!
Entre o conteúdo esfomeador e vende-pátria do governo dos ricos contra os pobres e contra a soberania nacional para que a burguesia lacaia do imperialismo e os interesses do povo trabalhador, não há ponto possível de conciliação.
A resposta revolucionária à crise desde o campo operário é exatamente o oposto do que foi estabelecido no decreto burguês: nacionalização de toda a mineração, estatização dos latifúndios agroindustriais, estatização das cooperativas de ouro, estatização da banca privada, intervenção e controle operário coletivo das grandes empresas privadas, monopólio estatal do comércio exterior
1º de janeiro de 2026
ABAIXO O GASOLINAÇO!
UNIFICAR A LUTA DO POVO E DOS TRABALHADORES ATÉ DERROTAR O PACOTAÇO DO GOVERNO!
O governo direitista de Paz-Lara lançou seu pacote e decretou um GASOLINAÇO, suspendendo o subsídio aos hidrocarbonetos, o que constitui um golpe contra o povo, o preço da gasolina se duplica e o do diesel se triplica, o que terá nefastas consequências na elevação dos preços da cesta básica, que já é inacessível para muitas famílias.
O governo, na mesma coletiva de imprensa, anunciou algumas medidas “paliativas”, como o aumento da Renda de Dignidade, o Bônus Juancito Pinto e o Salário Mínimo para 3300 bs, medidas totalmente insuficientes para enfrentar o aumento do custo de vida, esquecendo também das grandes massas de desempregados e autônomos que vivem precariamente.
Além disso, no mesmo decreto, o governo congela os salários para 2026, condenando a maioria dos trabalhadores a salários de fome. Também proíbe novas contratações de pessoal e obriga entidades públicas e empresas a apresentarem um programa de racionalização de pessoal e otimização de cargos, o que significa que demissões serão realizadas, agravando o problema do desemprego. Por fim, o BCB também é instruído a transitar para um novo Regime Cambial, que abre portas para a desvalorização da moeda.
O governo, junto com seu pacotaço faz a ameaça que aqueles que se oponham à medida serão considerados “traidores da pátria”. O que mais se pode esperar de um governo que considera patriótico defender os interesses de grandes multinacionais estrangeiras, dos agroindustriais e cooperativas, enquanto condena a grande maioria do país à pobreza. O decreto inclui, por exemplo, a livre exportação de bens essenciais, o que aprofundará a escassez da cesta básica.
Este pacotaço, preparado há muito tempo pela classe dominante, para descarregar a crise nas costas da grande maioria, deve ser interrompido imediatamente, caso contrário o governo avançará com outras medidas, como a destruição da Lei do Trabalho e a descentralização da Educação.
Desde as bases, convocamos todos os trabalhadores e o povo em geral a saírem às ruas até fazer retroceder o governo e revogar o D.S. 5503. A COB e todas as organizações sindicais e populares devem convocar a resistência ao pacotaço até que seja derrotado. As bases devem exigir que suas direções convoquem atividades orgânicas para organizar a luta dentro do âmbito da independência política e sindical, evitando as manobras da burocracia sindical. Em 2010, já derrotamos o Gasolinaço de Evo Morales nas ruas, agora temos de derrotar o PACOTAÇO de Paz-Lara.
Sucre, 17 de dezembro de 2025